{"id":9781,"date":"2018-09-04T10:01:00","date_gmt":"2018-09-04T13:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=9781"},"modified":"2021-11-30T10:55:28","modified_gmt":"2021-11-30T13:55:28","slug":"037-amorosidade-e-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/037-amorosidade-e-solidao\/","title":{"rendered":"037 &#8211; Amorosidade e Solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"9781\" class=\"elementor elementor-9781\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-41b176b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"41b176b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1315b4b\" data-id=\"1315b4b\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7136ec6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7136ec6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">036 &#8211; Amorosidade e Solid\u00e3o<\/span><\/strong><\/h3>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-ed8d5b7 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"ed8d5b7\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3bca0f8\" data-id=\"3bca0f8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7d28675 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7d28675\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4>Autor: Vicente do Prado Tolezano 04-09-2018<\/h4><h4>Poucas coisas s\u00e3o t\u00e3o AMB\u00cdGUAS como a solid\u00e3o.<\/h4><h4>Por conta do terror de se estar SOLIT\u00c1RIO quantas falsas companhias n\u00e3o se buscam, garantindo assim, mais que a solid\u00e3o propriamente dita, mesmo a queda no V\u00c1CUO EXISTENCIAL<\/h4><h4>\u00c9 pr\u00f3prio do ser humano trocar J\u00d3IA por BIJOUTERIA e insistir que esta \u00e9 aquela, mesmo contra todas as manchas e falta de brilho.<\/h4><h4>As multid\u00f5es gostam das multid\u00f5es. Gostam, ali\u00e1s, muito mais das multid\u00f5es que de si.<\/h4><h4>Um princ\u00edpio muito importante da PRESEN\u00c7A \u00e9 que ela nunca \u00e9 material\/corp\u00f3rea. PRESEN\u00c7A \u00e9, sempre e sempre, \u201cpresen\u00e7a de\/e no espirito\u201d. J\u00e1 disse LAVELLE, abonado de toda raz\u00e3o, que os corpos s\u00e3o meios divisivos e que s\u00f3 a consci\u00eancia \u00e9 meio de comunh\u00e3o.<\/h4><h4>A carne, o mundo e o diabo s\u00e3o os 3 perigos que sempre nos espreitam. Se o leitor n\u00e3o apreciar a terminologia teol\u00f3gica de f\u00e9, que a substituta pelos termos das dimens\u00f5es de besta (baixo ventre), de le\u00e3o (peito) e humana propriamente dita (cabe\u00e7a\/intelecto), cunhados pela teologia natural de Plat\u00e3o (427 \u2013 347 a.C.), que a refer\u00eancia puramente sem\u00e2ntica dos perigos\/desafios praticamente n\u00e3o se altera.<\/h4><h4>Quase todos os v\u00edcios da carne decorrem diretamente de mau posicionamento junto ao mundo: medo da assun\u00e7\u00e3o da identidade, baixa autoestima, vergonha, inseguran\u00e7a, etc\u2026, entre outras vetoriza\u00e7\u00f5es do instinto de FUGA.<\/h4><h4>\u00c9 pr\u00f3prio da estrutura dos instintos ser dual. Com o instinto de fuga, faz dueto a LUTA, de forma que o instinto propriamente dito \u00e9 de oscila\u00e7\u00e3o FUGA-LUTA. A conta cara do fugitivo \u00e9 a SOLID\u00c3O, a qual tem contornos n\u00edtidos de DESAMPARO. O fugitivo se sente fora do mundo e padece de ang\u00fastia e afli\u00e7\u00e3o por isso, em um processo que pode se incrementar inercialmente e muito.<\/h4><h4>O que se passa com o LUTADOR \u00e9, estruturalmente, o mesmo que se passa com o FUGITIVO, sendo as diferen\u00e7as mais relacionadas \u00e0s apar\u00eancias do que \u00e0s ess\u00eancias. Afinal, nem poderia ser diferente, ante a que LUTA e FUGA s\u00e3o a cara e a coroa da mesma moeda do medo da SOLID\u00c3O.<\/h4><h4>Normalmente, quem LUTA para ser integrado, aceito, respeitado, segue SOLIT\u00c1RIO sen\u00e3o nas apar\u00eancias de acompanhado, j\u00e1 que a regra prevalecente dos conv\u00edvios sociais dos lutadores \u00e9 do encontro de corpos ou do encontro de EGOS (mecanismo de fixa\u00e7\u00e3o defensiva de uma suposta identidade).<\/h4><h4>\u201cFalem at\u00e9 muito mal de mim, mas n\u00e3o me ESQUE\u00c7AM, por amor!\u201d \u00e9 asserto muito fidedigno aos impulsos dos \u201cle\u00f5es-lutadores\u201d. \u00c9 tanto ego dilu\u00eddo nesses tipos de situa\u00e7\u00e3o que a pr\u00f3pria proje\u00e7\u00e3o de esquecimento \u00e9 antecipada como SOLID\u00c3O, com os mesmos efeitos angustiantes\/aflitivos do FUGITIVO, apenas mais sutis.<\/h4><h4>Voltamos a repetir que corpos \u2013 nem mesmo conviv\u00eancia ou egos \u2013 implicam presen\u00e7a elisiva da SOLID\u00c3O, que s\u00f3 a consci\u00eancia, produto espiritual t\u00edpico prov\u00ea.<\/h4><h4>\u00c9 evidente que, ao tratarmos da dimens\u00e3o do esp\u00edrito, havemos de estar para al\u00e9m da animalidade, para al\u00e9m do imp\u00e9rio instintivo, campos em que a reflexividade da consci\u00eancia n\u00e3o apita.<\/h4><h4>Toda sensa\u00e7\u00e3o de SOLID\u00c3O, ao cabo \u00faltimo, pode ser projetada como uma solid\u00e3o de cunho material, mas \u00e9, em termos bem rigorosos, um vazio de ansiedade\/culpa existencial, exclusividade humana.<\/h4><h4>N\u00f3s, e s\u00f3 n\u00f3s, temos a percep\u00e7\u00e3o de que viemos da natureza, mas que dela somos separados, em um processo de retorno praticamente imposs\u00edvel. Toda nossa trajet\u00f3ria biogr\u00e1fica \u00e9 uma tentativa de fus\u00e3o\/reconcilia\u00e7\u00e3o\/comunh\u00e3o com esse todo natural, c\u00f3smico ou divino, chame o leitor como melhor preferir.<\/h4><h4>A dimens\u00e3o do esp\u00edrito, obviamente, \u00e9 separada da dimens\u00e3o material, mas n\u00e3o cuida de separa\u00e7\u00e3o sem vincula\u00e7\u00f5es de efeitos. A pobreza do esp\u00edrito implica uma concentra\u00e7\u00e3o exacerbada na mat\u00e9ria e o inverso \u00e9 o caso.<\/h4><h4>O princ\u00edpio que queremos destacar \u00e9 que, centrada a pessoa na dimens\u00e3o da mat\u00e9ria, a in\u00e9rcia instintiva impera e a SOLID\u00c3O vai se assenhorar por qualquer dos vetores antag\u00f4nicos do dueto instintivo FUGA e LUTA. A causa disso n\u00e3o \u00e9 externa\/ambiental, mas \u00e9 interna\/antro-ontol\u00f3gica.<\/h4><h4>A pessoa de esp\u00edrito forte, de g\u00eanio, transcendeu o n\u00edvel instintivo, tal que tamb\u00e9m superou os perigos da carne e do mundo, passando a \u201cASSIMILAR\u201d a exist\u00eancia, inclusive a pr\u00f3pria dimens\u00e3o DIAB\u00d3LICA dela.<\/h4><h4>Todo movimento ASSIMILATIVO \u00e9 um movimento da consci\u00eancia e \u00e9 uma antessala da METABOLIZA\u00c7\u00c3O das viv\u00eancias ou da biografia pr\u00f3pria. Assimilar algo \u00e9 muito mais do que fugir desse algo ou do que lutar contra esse algo. \u00c9 ir para al\u00e9m dele, sintetizando-o em processo transformacional do pr\u00f3prio algo como do pr\u00f3prio assimilador. Ou seja, \u00e9 uma \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d, como resultado de uma multiplica\u00e7\u00e3o, muito mais que uma soma ou uma subtra\u00e7\u00e3o ou mesmo divis\u00e3o.<\/h4><h4>A ASSIMILA\u00c7\u00c3O-METABOLIZA\u00c7\u00c3O impede a proje\u00e7\u00e3o da SOLID\u00c3O, pois s\u00f3 ela \u00e9 a resposta antidiab\u00f3lica que combate, muito evitado pelas multid\u00f5es.<\/h4><h4>O diabo n\u00e3o tem que ser visto apenas como um homem vermelho de chifres e que porta um tridente quente. A etimologia dediabolos denota aquilo que \u00e9 DIVISIVO, SEPARADOR, REBAIXADOR, etc\u2026, do homem para com o todo do estado de natureza perdido.<\/h4><h4>Todos n\u00f3s temos a intui\u00e7\u00e3o interior dessa dimens\u00e3o sombria diab\u00f3lica que n\u00f3s \u00e9 \u00ednsita. Quando o fugitivo foge do mundo, ele est\u00e1, em efeito, fugindo do encontro diab\u00f3lico que est\u00e1 mais adiante na linha da progress\u00e3o espiritual. Quando o lutador est\u00e1 lutando contra o mundo, ele tamb\u00e9m \u00e9 fugitivo, s\u00f3 mais sutil, pois n\u00e3o d\u00e1 as vistas abertas ao encontro com o diabo, que necessariamente ser\u00e1 SOLIT\u00c1RIO, mas, obviamente, cuidar\u00e1 de SOLID\u00c3O LIBERT\u00c1RIA.<\/h4><h4>A ASSIMILA\u00c7\u00c3O-METABOLIZA\u00c7\u00c3O, e s\u00f3 ela, \u00e9 n\u00e3o fugitiva e lutadora contra o objeto pr\u00f3prio. Sabe o leitor o outro nome que a ASSIMILA\u00c7\u00c3O-METABOLIZA\u00c7\u00c3O tem? \u00c9 AMOR.<\/h4><h4>Porque existe a SOLID\u00c3O LIBERT\u00c1RIA AMOROSA, e com sem\u00e2ntica\u00a0\u00a0diametralmente oposta \u00e0 SOLID\u00c3O DO DESAMPARO, SOLID\u00c3O sempre ser\u00e1 termo trai\u00e7oeiramente amb\u00edguo.<\/h4><h4>O ASSIMILADOR-METABOLIZADOR-AMOROSO nunca \u00e9 solit\u00e1rio, no sentido preciso de padecer de DESAMPARO angustiante aflitivo, seja por n\u00e3o ter ningu\u00e9m, seja por temer de ser esquecido. Ele tem um esquema de se BASTAR.<\/h4><h4>Que o amoroso se baste n\u00e3o implica que ele deva ter ojeriza contra a carne nem contra o mundo, mas que os coloque no lugar pr\u00f3prio, ou seja, sob os seus p\u00e9s e sem obstaculizar a sua cabe\u00e7a verticalmente orientada ao c\u00e9u. A ojeriza que ele tem que ter \u00e9 contra a SOLID\u00c3O, que, a rigor, sempre \u00e9 efeito de uma divis\u00e3o dessa verticalidade, ou seja, diab\u00f3lica.<\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0fe62d9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0fe62d9\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-09ead34\" data-id=\"09ead34\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1d965a3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1d965a3\" 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do Mosteiro de S\u00e3o Bento de S\u00e3o Paulo, com investiga\u00e7\u00e3o sobre a Metaf\u00edsica de Arist\u00f3teles. \u00c9 diretor da Casa da Cr\u00edtica e da Tolezano Advogados.<\/span><br><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Tem forma\u00e7\u00f5es complementares diversas na \u00e1rea da Gest\u00e3o, Psican\u00e1lise, Media\u00e7\u00e3o, Filosofia Clinica, L\u00f3gica e Argumenta\u00e7\u00e3o e outras sobre a Alma Humana.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6f47b3e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6f47b3e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-33 elementor-top-column elementor-element 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class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-75f29706 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"75f29706\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-xl\">BAJULA\u00c7\u00c3O: A CORDIALIDADE INSINCERA<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-43cb5e2d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"43cb5e2d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Artigo do Vicente do Prado Tolezano.\u00a0<\/b><\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A bajula\u00e7\u00e3o \u2013 tamb\u00e9m chamada por adula\u00e7\u00e3o ou lisonja \u2013 \u00e9 esquema de manipula\u00e7\u00e3o afetiva muito antigo, muito eficaz, que goza de longevidade garantida tanto quanto exista a humanidade, pois se funda em duas human\u00edssimas fraquezas: <em>baixa autoestima<\/em> e <em>vaidade<\/em> (ou orgulho ou arrog\u00e2ncia).<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Plat\u00e3o (428\u2013348 a.C.) dedicou aten\u00e7\u00e3o ao tema em v\u00e1rias passagens de seus di\u00e1logos, principalmente no \u201cG\u00f3rgias\u201d. O gigante grego assentou, com todo acerto, que <em>o bajulador \u00e9 atrativo, mas \u00e9 animal terribil\u00edssimo e de pr\u00e1ticas altamente danosas<\/em>.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Plutarco (46\u2013120 d.C.), fil\u00f3sofo romano e herdeiro expl\u00edcito da tradi\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica, lavrou um tratado espec\u00edfico do tema, o op\u00fasculo \u201cComo distinguir o bajulador do amigo\u201d \u2013 a nossa principal fonte para este artigo.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A bajula\u00e7\u00e3o \u00e9 farinha do mesmo saco da <em>hipocrisia<\/em>, <em>sedu\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>outras falsidades<\/em>. A dificuldade em extirp\u00e1-la \u00e9 que al\u00e9m de se fundar, como j\u00e1 dito, nas frequent\u00edssimas baixa autoestima e vaidade, ela veste as roupas daquilo que \u00e9 muito buscado, por muito nobre \u00e0 vida, que \u00e9 a <em>amizade<\/em>. O bajulador sempre se dissimula como se amigo fosse, e \u00e9 agrad\u00e1vel, cordial e simp\u00e1tico na apar\u00eancia.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">As seguintes condutas, quando praticadas com <em>insinceridade<\/em>, <em>cinismo<\/em> ou <em>hipocrisia<\/em> e (ou) com fins <em>utilitaristas<\/em> ou <em>danosas<\/em>, s\u00e3o pr\u00f3prias da bajula\u00e7\u00e3o:<\/span><\/h4><ol><li><h4><span style=\"color: #000000;\">Elogiar, exaltar, qualificar algu\u00e9m, validar, aplaudir ou manifestar admira\u00e7\u00e3o, louvor, etc. Coloquialmente, chamam-se de \u201cmassagens no ego\u201d;<\/span><\/h4><\/li><li><h4><span style=\"color: #000000;\">Declarar-se inferior ao bajulado, prestando-lhe rever\u00eancias ou prostra\u00e7\u00f5es que podem chegar ao servilismo; oferta de mimos, favores, mesuras; declarar concord\u00e2ncia com as mesmas opini\u00f5es ou interesses do bajulado sobre v\u00e1rios assuntos e mudar opini\u00e3o sempre que o bajulado tamb\u00e9m mudar. Coloquialmente, chamam-se \u201cpuxa\u00e7\u00f5es de saco\u201d.<\/span><\/h4><\/li><\/ol><h4><span style=\"color: #000000;\">Por uma simples bajula\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m pode \u201cdar at\u00e9 a alma\u201d, sofrer del\u00edrios de grandeza, virar galo-de-briga, jactar-se, inflamar-se de orgulho\/vaidade, etc dentre tantas insensatezes e arruinamentos t\u00edpicos dos iludidos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Frise-se que elogiar e ser sol\u00edcito s\u00e3o, objetivamente, a\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de amizade. Contudo, a amizade demanda, de forma inegoci\u00e1vel, o elemento subjetivo inexistente na bajula\u00e7\u00e3o: a <em>franqueza<\/em>. Ou seja, o amigo efetivo elogia o elogi\u00e1vel, censura ou adverte at\u00e9 duramente o censur\u00e1vel ou conden\u00e1vel do amigo e por crit\u00e9rios objetivos (sinceros, ao menos), e n\u00e3o para \u201cmeramente agradar, validar ou aprovar\u201d.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Sem qualquer exagero, o amigo \u00e9 o maior \u201cguardi\u00e3o da lucidez\u201d de algu\u00e9m sobre si pr\u00f3prio, ou simplesmente n\u00e3o \u00e9 amigo. Plutarco menciona o amigo como o nosso \u201credutor dos excessos do orgulho\u201d. Exatamente por isso, amizade \u00e9 forma de amor e n\u00e3o de poder, como s\u00f3i ser a bajula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O bajulador \u2013 que de amigo s\u00f3 tem as vestes \u2013 rouba do bajulado algo de proveito essencial da intera\u00e7\u00e3o humana. Diz Plutarco que o bajulador \u201c(&#8230;) <em>est\u00e1 sempre em oposi\u00e7\u00e3o ao conhece-te a ti mesmo, introduzindo o engano em cada um com rela\u00e7\u00e3o a si pr\u00f3prio e a ignor\u00e2ncia de si mesmo<\/em>\u201d.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">S\u00e3o t\u00e3o predat\u00f3rios os bajuladores que os advers\u00e1rios, rivais ou at\u00e9 mesmo inimigos, se declarados, t\u00eam mais serventia no que respeita \u00e0s corre\u00e7\u00f5es de rumo e quebra das ilus\u00f5es.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O fil\u00f3sofo romano esclarece que a assun\u00e7\u00e3o das inimizades \u00e9 meio que instiga os homens a \u201cpermanecerem s\u00f3brios em sua vida e se manterem afastados da fraqueza de car\u00e1ter\u201d e que \u201c(&#8230;) frequentemente, uma cr\u00edtica lan\u00e7ada pela c\u00f3lera ou pela inimizade cura um v\u00edcio da alma ou porque era ignorado ou era negligenciado\u201d.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Alcan\u00e7ar julgamentos objetivos, justos e razo\u00e1veis de si, extirpados de orgulhos, egos e ilus\u00f5es, \u00e9 fruto colhido na travessia ao menos razo\u00e1vel da matura\u00e7\u00e3o; e \u201ccr\u00edticas\u201d, inclu\u00eddas as antip\u00e1ticas, vindas da alteridade benevolente s\u00e3o indispens\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Importante destacar que o bajulado, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 mera v\u00edtima passiva do achaque casual dos bajuladores. Ele, por ingenuidade difusa (associada \u00e0 baixa autoestima) ou mesmo pervers\u00e3o (associado \u00e0 vaidade), pode ser um pid\u00e3o ativo da lisonja e manifestar hostilidade a cr\u00edticas, mesmo as razo\u00e1veis e benevolentes.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Nessas situa\u00e7\u00f5es acima, passa-se mesmo um impulso de ojeriza contra a <em>franqueza<\/em>, num esquema de paralelismo entre o exterior e o interior.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Plutarco assentou tamb\u00e9m que \u201ccada um de n\u00f3s \u00e9 o maior bajulador de si\u201d. Disso, segue-se \u00f3bvio de que quanto mais algu\u00e9m se auto bajula ou manipula, mais ele tende a ser bajulado ou manipulado externamente.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Aquele que se bajula \u00e9, sem exageros quaisquer, pessoa de car\u00e1ter \u00edntimo masoquista \u00e0 busca de um (ou mais) bajulador(es) externo(s), que far\u00e1 (\u00e3o) papel de seu (s) s\u00e1dico (s).<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Os malevolentes, s\u00e1dicos, sempre entendem a fraqueza alheia \u2013 e o jogo interno que o bajulado faz consigo \u2013, seja por baixa autoestima ou por vaidade (\u00e0s vezes dif\u00edceis de ser discernidas uma da outra ou mesmo amalgamadas) e \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a chave do poder. O bajulador anestesia essa fraqueza, sem, claro, que o bajulado tenha melhorado qualquer dos elogios, aplausos, conselhos, etc. Ali\u00e1s, vai mesmo piorar, desde ser parasitado at\u00e9 esfolado.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Hans Christian Andersen exibiu, com fina mordacidade, pelo singelo cl\u00e1ssico \u201cAs roupas novas do imperador\u201d duas fei\u00faras:<\/span><\/h4><ol><li><h4><span style=\"color: #000000;\">a imensa efic\u00e1cia ilus\u00f3ria da bajula\u00e7\u00e3o de uns picaretas sobre um rei vaidoso, que se permitiu ir at\u00e9 o c\u00famulo do rid\u00edculo;<\/span><\/h4><\/li><li><h4><span style=\"color: #000000;\">a solidariedade das pessoas pendente mais para os bajuladores que para o bajulado! Afinal de contas, t\u00e3o-somente o menininho teve a franqueza de n\u00e3o aplaudir e dizer a nudez do rei como ele a via. Toda a turba jogava o teatro de \u201cpuxar o saco do rei\u201d.<\/span><\/h4><\/li><\/ol><h4><span style=\"color: #000000;\">S\u00e3o poucas as pessoas \u201cn\u00e3o bajul\u00e1veis\u201d e s\u00f3 essas s\u00e3o pessoas propriamente <em>livres<\/em>.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">As turbas est\u00e3o tanto sendo achacadas por bajula\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas, at\u00e9 grotescas e institucionalizadas (a exemplo, o \u201cpoliticamente correto\u201d), quanto bradando, ainda que inconscientemente \u201cbajula-me sem parar, por amor!\u201d.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Menor ainda \u00e9 o n\u00famero de pessoas que n\u00e3o bajulam em absoluto, pois, no m\u00ednimo, se tornam <em>personae non gratae<\/em> e hostilizadas em quaisquer dom\u00ednios sociais, inclu\u00eddos os de trabalho, as escolas e mesmo no \u00e2mbito das fam\u00edlias, tornando a vida pr\u00e1tica quase imposs\u00edvel.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O mundo tem a mania incorrig\u00edvel n\u00e3o perdoar os francos, pois, mesmo sob vestes de amigo, o mundo s\u00f3 d\u00e1 e s\u00f3 quer mesmo \u00e9 receber lisonjas.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">SP, 22\/11\/21<\/span><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4d6f8930 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4d6f8930\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f9faab0\" data-id=\"f9faab0\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2805c3a3 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Por conta do terror de se estar SOLIT\u00c1RIO quantas falsas companhias n\u00e3o se buscam, garantindo assim, mais que a solid\u00e3o propriamente dita, mesmo a queda no V\u00c1CUO EXISTENCIAL \u00c9 pr\u00f3prio do ser humano trocar J\u00d3IA por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2067,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85,50],"tags":[92,298,297,295,299,117,296,84,294],"class_list":["post-9781","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-artigos-amor-consciencia-e-liberdade","tag-consciencia","tag-encontro","tag-fuga","tag-lavelle","tag-liberdade","tag-louis-lavelle","tag-luta","tag-platao","tag-solidao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9781"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22018,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9781\/revisions\/22018"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2067"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}