{"id":33753,"date":"2025-03-15T18:32:14","date_gmt":"2025-03-15T21:32:14","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=33753"},"modified":"2025-03-15T19:21:30","modified_gmt":"2025-03-15T22:21:30","slug":"platao-suas-dores-a-hipocrisia-social-invencivel-e-o-dialogo-a-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/platao-suas-dores-a-hipocrisia-social-invencivel-e-o-dialogo-a-republica\/","title":{"rendered":"Plat\u00e3o, Suas Dores, A Hipocrisia Social Invenc\u00edvel e o Di\u00e1logo A Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"33753\" class=\"elementor elementor-33753\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4f431059 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4f431059\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-256fa9e3\" data-id=\"256fa9e3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2246db9b elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"2246db9b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-xl\">Plat\u00e3o, Suas Dores, A Hipocrisia Social Invenc\u00edvel e o Di\u00e1logo A Rep\u00fablica<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-67fd3272 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"67fd3272\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Plat\u00e3o, Suas Dores, A Hipocrisia Social Invenc\u00edvel e o Di\u00e1logo A Rep\u00fablica<\/strong><\/span><\/h4><h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Artigo do Vicente Tolezano<\/span><\/h4><p><span style=\"color: #000000;\">O ad\u00e1gio popular que diz que \u201cuma ostra que n\u00e3o foi ferida n\u00e3o produz\u00a0p\u00e9rolas\u201d carrega muitas verdades. S\u00e3o, sim, muito os esplendores art\u00edsticos, filos\u00f3ficos, eruditos, etc&#8230; que s\u00e3o frutos efetivos da matura\u00e7\u00e3o de dores.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Plat\u00e3o (428 \u2013 348 a.C.), um dos maiores g\u00eanios da hist\u00f3ria, homem cujas reflex\u00f5es nos iluminam h\u00e1 25 s\u00e9culos (e seguir\u00e3o iluminando) era tamb\u00e9m um homem deveras dolorido.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Suas dores, ali\u00e1s, s\u00e3o certas sementes de que brotou a robusta \u00e1rvore de suas reflex\u00f5es e \u00e9 bastante evidente a conclus\u00e3o, ainda que contra factual, de que n\u00e3o fossem as tais dores, frutos t\u00e3o nutritivos n\u00e3o teriam vindo \u00e0 luz.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Duas das dores agudas factuais, biogr\u00e1ficas do nosso autor, foram bastante registradas em suas obras e s\u00e3o associadas entre si: a) o estado generalizado de corrup\u00e7\u00e3o em Atenas; b) a injusti\u00e7a absoluta feita contra S\u00f3crates (470 \u2013 399 a.C.), num julgamento fraudulento do come\u00e7o ao fim.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Como podiam tanta maldade e a mentira manifestas prevalecer sobre a virtude e verdade tamb\u00e9m manifestas? Essa quest\u00e3o era objetivamente constatada por Plat\u00e3o e fonte dos aludidos \u201cespantos dolorido\u201d, os quais foram elaborados num projeto filos\u00f3fico, sem, claro, ter-se dessensibilizado.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O mestre maior de Plat\u00e3o, tanto na instiga\u00e7\u00e3o reflexiva-intelectual quanto como exemplo vivo de virtudes morais, S\u00f3crates, propunha uma explica\u00e7\u00e3o sobre a ades\u00e3o ao mal que n\u00e3o se sustenta solidamente e mesmo carrega doses generosas de ingenuidade.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Segundo S\u00f3crates, o mal, em todas as suas formas, seria a ignor\u00e2ncia do bem, tal que se o mal \u00e9 praticado \u00e9 porque n\u00e3o se conhece o bem. Por sua vez, se o bem fosse conhecido pelo agente maldoso, este n\u00e3o faria o mal.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">T\u00e3o fiel foi S\u00f3crates \u00e0 sua cren\u00e7a ing\u00eanua que, mesmo condenado num julgamento manifestamente fraudulento, arrogou a si a responsabilidade de n\u00e3o ter tido capacidade de bem demonstrar as inconsist\u00eancias da acusa\u00e7\u00e3o! Sim, considerava real a possibilidade de \u201cconvencer hip\u00f3critas\u201d!<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Plat\u00e3o, a despeito de toda preserva\u00e7\u00e3o do mestre, n\u00e3o se contentou tal simplismo explicativo, manifestamente insustent\u00e1vel.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Elaborou, pois, o gigantesco pensador ateniense, uma ampl\u00edssima filosofia, com fronteiras de conte\u00fados bem mais largas que os temas morais (em que S\u00f3crates estava centrado), mas integrava os temas morais com dimens\u00f5es da f\u00edsica, da pol\u00edtica, da metaf\u00edsica, da cosmologia, da estrutura da cogni\u00e7\u00e3o, da natureza da linguagem, etc&#8230;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Vamos repetir que no centro de todo esse vasto \u201cuniverso filos\u00f3fico\u201d, o sol radiante de energia movente era as dores aludidas. H\u00e1 de haver explica\u00e7\u00e3o para tudo que existe, inclusive para os absurdos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na famosa Carta VII, plena de relatos biogr\u00e1ficos, Plat\u00e3o indica suas frustra\u00e7\u00f5es de viver numa p\u00f3lis intensamente corrupta, logo ele que, desde a juventude, almejava o exerc\u00edcio da vida p\u00fablica com \u00e2nimo verdadeiramente altru\u00edsta.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Ele n\u00e3o foi concretamente molestado pelas tiranias presentes em Atenas, eis que era de ascend\u00eancia aristocr\u00e1tica, repleto de consangu\u00edneos poderosos, mas corruptos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Tentou dar vaz\u00e3o aos intentos altru\u00edstas em terra estrangeira \u2013 Siracusa \u2013 tendo vivido e atuado na corte de Dioniso, onde fez esfor\u00e7os para educar o monarca em bases filos\u00f3ficas.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A pervers\u00e3o social siracusana, por sua vez, n\u00e3o discrepava da pervers\u00e3o ateniense. Plat\u00e3o padeceu inclusive de aprisionamento e \u201cpor pouco\u201d n\u00e3o teve destino mundanamente desgra\u00e7ado como o de S\u00f3crates.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">As situa\u00e7\u00f5es concretas de preval\u00eancia de v\u00edcio e pervers\u00e3o nas pra\u00e7as p\u00fablicas de Siracusa e de Atenas, contudo, n\u00e3o s\u00e3o \u201cs\u00f3 coincid\u00eancias pelo l\u00e9u do acaso\u201d. H\u00e1 padr\u00f5es de movimentos ordenantes e constantes das vidas social e individuais. \u00c9 o desafio \u00e0 intelig\u00eancia filos\u00f3fica capturar esses padr\u00f5es.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A humanidade \u00e9 legat\u00e1ria do tesouro plat\u00f4nico contido na A Rep\u00fablica, di\u00e1logo ficcional protagonizado por S\u00f3crates e cujo tema central \u00e9 a quest\u00e3o ampla da Justi\u00e7a, da sua natureza, das suas raras possibilidades, dos meios de educa\u00e7\u00e3o para ela, dos modos justos de viver e dos modos de viver bem a despeito do padecimento de injusti\u00e7as.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Plat\u00e3o desenvolve um tratamento paralelo entre a justi\u00e7a num homem (precisamente, na alma de um homem) e a justi\u00e7a numa cidade, eis que \u00e9 mais f\u00e1cil ver as coisas \u201cna escala de uma cidade\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O pressuposto, ali\u00e1s muito correto, a\u00ed envolvido \u00e9 que as cidades s\u00e3o estruturadas como modelo ao que hoje chamamos de \u201cpsiquismo coletivo\u201d. Nesse sentido, bem conhecer os <em>modus<\/em> e de uma cidade justa, bem governada, ou injusta e perversa se presta a iluminar o conhecimento das mesmas tens\u00f5es num indiv\u00edduo e vice-versa. Cada cidade tem divis\u00f5es internas e cada alma tamb\u00e9m \u00e9 partida internamente.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em apertad\u00edssima suma, Plat\u00e3o demonstra (e convence!) a grande preval\u00eancia da pra\u00e7a p\u00fablica pela injusti\u00e7a sim. \u00a0Afinal, em termos materialistas, dar justi\u00e7a, mesmo dentre as muitas varia\u00e7\u00f5es de sentido do termo, \u00e9 considerado desvantajoso.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Como exemplo, vejamos uma mentalidade que todos os leitores conhecem: \u201cqual a vantagem, afinal, em pagar o pre\u00e7o justo de alguma coisa? O vantajoso \u00e9 receber mais do que uma coisa vale\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 claro que \u00e9 mais \u201cvantajoso\u201d n\u00e3o dar justi\u00e7a e sim recebe-la. Mas \u201cmais vantajoso ainda\u201d \u00e9 jamais ser justo, mas sempre ter a \u201capar\u00eancia de justo\u201d. Afinal, quem \u201cparece justo\u201d goza de alguns prest\u00edgios e poder social, ainda que efetivamente n\u00e3o seja justo.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Quem, por sua vez, \u201c\u00e9 realmente justo\u201d, mas n\u00e3o tem a apar\u00eancia de justo \u00e9 socialmente desprezado. Dizer \u201cmundo\u201d e dizer \u201cmundo de apar\u00eancias\u201d \u00e9 praticamente dizer sin\u00f4nimos para Plat\u00e3o, o autor do Mito da Caverna, ali\u00e1s, mito que \u00e9 parte integrante da A Rep\u00fablica.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">De certa forma, a pessoa realmente justa tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 exatamente ocupada em \u201cjogar para a pra\u00e7a p\u00fablica\u201d, tal como foi o caso de S\u00f3crates. Est\u00e1 presente aqui um senso \u00edntimo com a ideia de \u201csantidade\u201d, considerando-se Santo como aquele que \u201cvenceu o mundo\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A pra\u00e7a p\u00fablica \u00e9 lugar ordin\u00e1rio de apar\u00eancias pol\u00edticas, de poder, de disputas, rixas m\u00faltiplas e disfar\u00e7adas sob infinitas roupagens. Haver\u00e1, claro, um punhadinho, mas s\u00f3 um punhadinho, de justos (e santos) dilu\u00eddos na multid\u00e3o de \u201csedentos por apar\u00eancia de justi\u00e7a\u201d, mas desinteressados em justi\u00e7a propriamente dita.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Vale o registro nesta altura, dos \u201ctoques de chacota\u201d de um contempor\u00e2neo de Plat\u00e3o, Di\u00f3genes de Sinope (404 \u2013 323 a.C.), que dizia perambular o dia todo por Atenas na busca de um homem honesto, mas jamais lograva o encontrar.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O pr\u00f3prio Di\u00f3genes enunciava outra luz, ainda que vestida em tom provocativo de irrever\u00eancia, a de que \u201cera uma criatura do <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cosmos\">cosmos<\/a> e n\u00e3o de uma <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Polis\">polis<\/a> em particular&#8221;.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Essa provoca\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica e desprovido \u201cfilho do meio social\u201d ou (cosmovis\u00e3o deprimente que est\u00e1 em voga correntemente) ou de cidadania carrega um senso <em>ag\u00e1pico<\/em>, que denota \u201camor ao todo indeterminado, mas determinante\u201d, ao divino, ao transcendente, etc&#8230; e de tal forma que s\u00f3 a exist\u00eancia desse amor justifica o amor <em>philia<\/em>, relativamente a pessoas e bens concretos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Para as tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, esse amor ag\u00e1pico \u00e9 o Mandamento Um do Dec\u00e1logo \u2013 \u201cAmar a Deus sobre todas as Coisas\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A solu\u00e7\u00e3o para as dores existenciais, a solu\u00e7\u00e3o para a vida boa, a solu\u00e7\u00e3o para as pr\u00f3prias dores concretas de que Plat\u00e3o padeceu \u00e9 ser justo, ser virtuoso, ser produtivo, enfim, ser Santo. H\u00e1 uma gravidez aqui do que seria explicitado no Evangelho de Mateus sobre \u201cacumular tesouro s\u00f3 no c\u00e9u\u201d n\u00e3o nas pra\u00e7as p\u00fablicas.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O di\u00e1logo A Rep\u00fablica, al\u00e9m de apontar a inevitabilidade da hipocrisia perversa e injusta da pra\u00e7a p\u00fablica vai discorrer sobre as constitui\u00e7\u00f5es dos tipos de car\u00e1cteres humanos (em parte natural e em parte decorrente de esfor\u00e7o pr\u00f3prio), inclusive sobre a constitui\u00e7\u00e3o do \u201ccar\u00e1ter dos justos\u201d (dos virtuosos, etc&#8230;), entre tantos tipos de car\u00e1cteres mais parasit\u00e1rios, mais predat\u00f3rios, etc&#8230;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201calgu\u00e9m ser justo de repente\u201d e tamb\u00e9m \u201cde repente\u201d mudar a chave de justo para injusto, de corajoso para covarde, etc&#8230; N\u00f3s somos um padr\u00e3o de car\u00e1ter que constitu\u00edmos paulatinamente ao longo da vida, num processo que passa por ordena\u00e7\u00e3o de afetos do corpo, da imagina\u00e7\u00e3o, da intelig\u00eancia, dos h\u00e1bitos, etc&#8230;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O simplismo socr\u00e1tico n\u00e3o alcan\u00e7a esse senso que Plat\u00e3o alcan\u00e7ou de que h\u00e1 tipos de car\u00e1cteres humanos e tal que \u201cconhecer o bem \u00e9 condi\u00e7\u00e3o suficiente para o cumprir\u201d s\u00f3 e s\u00f3 se o \u201ccar\u00e1ter dessa pessoa que conhece j\u00e1 \u00e9 justo\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Uma pessoa de car\u00e1ter justo pode at\u00e9 praticar injusti\u00e7a por ignor\u00e2ncia e \u00e9 \u201cpidona\u201d de aprendizado.\u00a0 Contudo, \u00e0s pessoas de car\u00e1ter injusto, \u00e9 totalmente irrelevante saber o que seja o bem, simplesmente porque ela n\u00e3o reflete sobre isso.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">S\u00e3o indispens\u00e1veis, obviamente para bem viver a vida: a) saber ler car\u00e1cteres humanos; b) n\u00e3o nutrir v\u00e3s esperan\u00e7as da Pra\u00e7a P\u00fablica; c) ordenar a constitui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio car\u00e1ter, inclusive, \u00fanica via de \u201cmitiga\u00e7\u00e3o das dores de existir\u201d. O di\u00e1logo A Rep\u00fablica ajuda muito \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o dessas quest\u00f5es.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A toxidade da Pra\u00e7a P\u00fablica tamb\u00e9m \u00e9 recorrentemente denunciada na filosofia moderna (Schopenhauer, Nietzche, Bukowski, etc&#8230;), pois, afinal, repetimos sem cansar, \u00e9 uma constante perene.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A discrep\u00e2ncia plena da abordagem plat\u00f4nica consiste em que o pendor moderno, sob in\u00e9rcia da cosmovis\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o do meio, instiga, de certa maneira, a um senso de ressentimento social, revolta, utopias por uma sociedade perfeita, etc&#8230;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">As perspectivas plat\u00f4nicas n\u00e3o condizem com ressentimento ou equivalentes. Elas carregam o \u00f4nus de constitui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio car\u00e1cter justo (e feliz) muito predominantemente sobre o pr\u00f3prio sujeito. A degrada\u00e7\u00e3o do meio n\u00e3o \u00e9 motivo para neg\u00e1-lo ou lamuriar (Plat\u00e3o chama isso de covardia), mas \u00e9 motivo para tonificar um v\u00ednculo ag\u00e1pico.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 bastante frequente apontarem Plat\u00e3o como ut\u00f3pico por ter \u201cidealizado a cidade perfeita\u201d ao longo de A Rep\u00fablica, o que, de fato, fez \u201cem termos literais\u201d, mais precisamente \u201cna superf\u00edcie literal\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">No sentido, minimamente bem interpretado, contudo, e com v\u00eania de tantos int\u00e9rpretes em sentido contr\u00e1rio, Plat\u00e3o n\u00e3o prop\u00f5e e nem estimula qualquer esperan\u00e7a nalguma \u201ccidade perfeita\u201d, mas em \u201calguns homens de constitui\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter muito justo\u201d. Ele trabalhou, repetimos, com a escala da cidade para \u201cfalar, acima de tudo, sobre as possibilidades de indiv\u00edduos\u201d. Ela cunha a met\u00e1fora do Homem Ouro, como aquele que vive no meio social, serve ao meio social, mas \u00e9 o que menos se deixa influenciar pelo meio (tal como o ouro \u00e9 o metal mais resistente \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Plat\u00e3o em geral, mas destacadamente o di\u00e1logo A Rep\u00fablica \u00e9 guia para ilumina\u00e7\u00e3o da vida, para mitiga\u00e7\u00e3o das dores de existir, para nutrir f\u00e9 l\u00facida, para agu\u00e7ar a intelig\u00eancia, enfim, para saber plantar semente de virtude em solo bom.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Este articulista abona o asserto da professora L\u00facia Helena Galv\u00e3o de que se, tirante livros sagrados, s\u00f3 houvesse um livro para ser lido ao longo da vida, que este livro fosse A Rep\u00fablica de Plat\u00e3o.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Eu li A Rep\u00fablica a primeira vez aos 30 anos e \u201cgostei\u201d de certa forma da obra. Na maturidade dos 50 eu reli. A\u00ed, \u201cpassei a achar que entendi\u201d.\u00a0 N\u00e3o s\u00f3 reli o texto v\u00e1rias vezes, como o digitei em minha vers\u00e3o pr\u00f3pria, linha a linha as suas 800 p\u00e1ginas. Foi uma imensa bondade que fiz para mim mesmo.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em breve, aqui pela Casa da Cr\u00edtica, faremos eu e o amigo Dr. Joathas Bello fil\u00f3sofo de \u201cprateleira mais alta que a minha\u201d um curso sobre A Rep\u00fablica, de Plat\u00e3o, curso extenso, sem vi\u00e9s acad\u00eamico formal e com vi\u00e9s de educa\u00e7\u00e3o existencial.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Mais Plat\u00e3o sempre!<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Vicente Tolezano, S\u00e3o Paulo, 15 de mar\u00e7o de 2025<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-531b1f75 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"531b1f75\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container 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