{"id":22479,"date":"2022-03-04T12:07:18","date_gmt":"2022-03-04T15:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=22479"},"modified":"2022-03-04T12:16:29","modified_gmt":"2022-03-04T15:16:29","slug":"cancelamento-social-neo-ostracismo-e-nada-mais-que-isso-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/cancelamento-social-neo-ostracismo-e-nada-mais-que-isso-2\/","title":{"rendered":"Cancelamento Social &#8211; Neo Ostracismo e Nada Mais que Isso"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"22479\" class=\"elementor elementor-22479\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2f7978fd elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2f7978fd\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7cbbce12\" data-id=\"7cbbce12\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3855650f elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"3855650f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-xl\">CANCELAMENTO SOCIAL - NEO OSTRACISMO E NADA MAIS QUE ISSO<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5ed5fc5f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5ed5fc5f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Artigo do Vicente do Prado Tolezano.\u00a0<\/b><\/span><\/h4><h4>Cancelamento, a popular lacra\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma forma de segrega\u00e7\u00e3o social for\u00e7ada. Fala-se muito sobre isso atualmente porque s\u00e3o frequentes os casos de cancelamento e h\u00e1 at\u00e9 a impress\u00e3o de que cancelar estivesse na \u201cmoda\u201d.<\/h4><h4>Rigorosamente, \u00e9 falso afirmar o mero modismo do cancelamento, pois \u00e9 uma constante social t\u00e3o remota e longeva quanto a pr\u00f3pria humanidade.<\/h4><h4>As \u00fanicas novidades atuais nisso s\u00e3o o nome empregado e a maneira de banir. Antigamente, essa mesma pr\u00e1tica se chamava \u201costracismo\u201d ou \u201cex\u00edlio\u201d e gozava at\u00e9 de <em>status<\/em> de instituto jur\u00eddico. O banimento era f\u00edsico e hoje \u00e9 virtual.<\/h4><h4>Na obra \u201cPol\u00edtica\u201d, Arist\u00f3teles (384-322 a.C.) conta de v\u00e1rias <em>polis<\/em> com regras para manterem afastados homens proeminentes em m\u00e9rito. Ele explica que esses homens muito meritosos, por vezes, eram chamados de \u201chomens deuses\u201d, num esquema em que \u201cconseguiam legislar sobre si\u201d, bela forma de referir a que tinham, pois, a \u201ccapacidade de liberdade\u201d.<\/h4><h4>Essa poda de liberdade seria uma forma de \u201cjusti\u00e7a pol\u00edtica\u201d, adicional \u00e0s formas de \u201cjusti\u00e7a criminal\u201d, a qual, ao reverso, segrega, a seu modo, aqueles que s\u00e3o demasiadamente viciados, err\u00e1ticos ou perversos.<\/h4><h4>Fica claro que certa \u201cpaz social ou coletiva\u201d demanda uma \u201ctutela da mediania ou da mediocridade\u201d, variando os termos se variam os vieses de valora\u00e7\u00e3o positiva ou negativa quanto \u00e0s castra\u00e7\u00f5es dos <u>melhores<\/u> da sociedade.<\/h4><h4>Os argumentos favor\u00e1veis ao ostracismo sugerem que quando se permite que um ou poucos homens se destaquem muito desproporcionalmente (em virtude, em riqueza, em popularidade, em for\u00e7a, etc&#8230;), ainda que n\u00e3o incursos em crime, h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o de um senso de igualdade e surge desconfian\u00e7a contra os tais not\u00e1veis que poderiam exercer muita influ\u00eancia ou concentrar poder pol\u00edtico mesmo.<\/h4><h4>\u00c9 a cl\u00e1ssica quest\u00e3o do puro \u201cmedo do outro\u201d, mormente do \u201coutro que seja forte\u201d.<\/h4><h4>Sobre ela, vale sempre relembrar do asserto do fil\u00f3sofo franc\u00eas Louis Lavelle (18883-1951): \u201c[&#8230;] (o outro) anuncia-nos ele a paz ou a guerra? Vem invadir o espa\u00e7o onde agimos, reduzir os limites da nossa experi\u00eancia e nos expulsar para se estabelecer no dom\u00ednio que ocupamos?\u201d.<\/h4><h4>Havia tamb\u00e9m entre os gregos cl\u00e1ssicos uma modalidade menor de ostracismo denominada \u201catimia\u201d, a qual consistia num \u201cex\u00edlio interno\u201d, de maneira que o supostamente forte n\u00e3o precisava sair da cidade desde que n\u00e3o mais participasse da vida pol\u00edtica, assembleias, sem votar, sem ser ouvido, etc.<\/h4><h4>A rigor, a atimia \u00e9 o alter ego do cancelamento virtual moderno.<\/h4><h4>Arist\u00f3teles refutava toda legitimidade ao ostracismo e at\u00e9 ao ponto de afirmar que o natural seria mesmo n\u00e3o banir os melhores e nem os submeter \u00e0 autoridade, mas que, ao reverso, o desej\u00e1vel \u00e9 que justamente eles \u00e9 que mandassem, como um senso de autoridade\/lideran\u00e7as naturalmente despontadas.<\/h4><h4>\u00c9 \u00f3bvio que o que exatamente \u00e9 \u201cser melhor\u201d &#8211; mais meritoso, inteligente, rico, forte, popular, etc. -, comporta ampla investiga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 o bus\u00edlis deste artigo.<\/h4><h4>Ademais ao refutar o ostracismo, Arist\u00f3teles indicava a degenera\u00e7\u00e3o do seu manejo como simples meio perverso, subterfugioso, de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e pelo qual a \u201csitua\u00e7\u00e3o\u201d anulava a \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d sob uma fachada de \u201cbom mocismo\u201d.<\/h4><h4>Dar razo\u00e1vel harmonia social entre as qualidades individuais mais raras como a liberdade efetiva, circunspecta e os v\u00edcios mais ordin\u00e1rios como dispers\u00e3o em medo e busca afetiva de perten\u00e7a\/conformidade, sem resvalar em pervers\u00e3o disfar\u00e7ada \u00e9 a grande quest\u00e3o da arte pol\u00edtica cujas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre prec\u00e1rias.<\/h4><h4>Pode-se dar um exemplo simpl\u00f3rio de cepa escolar e que certamente o leitor j\u00e1 testemunhou ou mesmo viveu.<\/h4><h4>\u00c9 comum que nas salas de aulas existam alguns \u201cestudantes\u201d mais ou menos isolados e que s\u00e3o efetivamente interessados em aprender e at\u00e9 em se tornar autodidatas. Isso incomoda muito a massa de \u201calunos\u201d dispersos sem qualquer foco na sua progress\u00e3o.<\/h4><h4>A tend\u00eancia \u00e9 que a tal \u201cmassa de alunos\u201d n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o almeje a estatura dos \u201cestudantes\u201d, normalmente chamados pejorativamente de \u201cnerds\u201d, mas, ao reverso, sufoque-os, desdenhe deles ou at\u00e9 coisa pior.<\/h4><h4>A seu modo, pois, e guardadas as propor\u00e7\u00f5es os \u201cnerds\u201d ser\u00e3o \u201cdessocializados\u201d (ostracizados) ou ter\u00e3o que que \u201cse diminuir para caber\u201d no esquema da massa meramente aluna.<\/h4><h4>Esse exemplo escolar do nerd pode ser perfeitamente vivido por ele tamb\u00e9m dentro da sua fam\u00edlia. L\u00e1, talvez seu apelido de ridiculariza\u00e7\u00e3o sutilmente excludente seja \u201covelha negra\u201d, \u201cpatinho feio\u201d, \u201cCaxias\u201d e coisas assim.<\/h4><h4>S\u00e3o rar\u00edssimas as institui\u00e7\u00f5es escolares e, mesmo fam\u00edlias, que saibam fazer com que nerds e n\u00e3o-nerds sigam seus fluxos em paz e sem o cl\u00e1ssico nivelamento por baixo, que, no limite, s\u00e3o os efeitos de todo cancelamento.<\/h4><h4>O bem metaf\u00edsico da liberdade do \u201coutro\u201d implica alguma rea\u00e7\u00e3o canceladora de algum modo. Novamente, invocamos Lavelle noutro asserto de brilho: &#8220;o menor progresso espiritual nos retira o apoio dos outros homens, que veem em n\u00f3s um ser que come\u00e7a a se bastar&#8221;.<\/h4><h4>Entre a \u201cretirada de apoio\u201d aludida pelo pensador franc\u00eas e a pr\u00e1tica do cancelamento a dist\u00e2ncia ser\u00e1 m\u00ednima (e se \u00e9 que h\u00e1 dist\u00e2ncia!).<\/h4><h4>Por mais que dissimulem sob fal\u00e1cias do \u201cbom mocismo\u201d \u2013 e fazem isso, sim -, s\u00e3o poucos os que n\u00e3o temem ou at\u00e9 odeiam (afeto que nunca \u00e9 bom) quem n\u00e3o lhes confirma em cren\u00e7as ou ilus\u00f5es, estilos ou simpl\u00f3rias prefer\u00eancias.<\/h4><h4>Quase todos n\u00f3s somos pid\u00f5es nervosos por bajula\u00e7\u00f5es, mesmo sabidamente \u00a0\u00a0insinceras, e por medo, sim, da nossa sombra, o qual \u00e9 transferido defensiva e psiquicamente em medo de n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o (que pode ser s\u00f3 imagin\u00e1ria) e rancor\/orgulho contra o \u201coutro\u201d que pode ser cancelado se n\u00e3o prover as tais bajula\u00e7\u00f5es.<\/h4><h4>Cancelam-se os nerds ou qualquer outro (nerd ou n\u00e3o) que n\u00e3o brada o mantra \u201cte confirmo, te confirmo, te confirmo, etc&#8230;\u201d, seja por verbos, gestos ou cliques.<\/h4><h4>As legisla\u00e7\u00f5es atuais n\u00e3o contemplam o ostracismo e proclamam at\u00e9 seus opostos como liberdade de express\u00e3o, liberdade de credo, veda\u00e7\u00e3o \u00e0 censura, pluralismo pol\u00edtico entre outros, mas, n\u00e3o t\u00eam efic\u00e1cia nem sequer nos regimes declarados democr\u00e1ticos.<\/h4><h4>Censura, controle de m\u00eddia, at\u00e9 decis\u00e3o judicial proibitiva de postagem em rede social, incentivo a cultura do politicamente correto, desd\u00e9m, ridiculariza\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o social for\u00e7ada entre outras s\u00e3o as novas roupas sobre os velhos conceitos de ostracismo ou de atimia.<\/h4><h4>O ex\u00edlio contempor\u00e2neo \u00e9 virtual, eis que, de certo modo, a vida passou a ser virtual e as redes sociais s\u00e3o o \u201cnovo mundo\u201d no qual os \u201ccancelados\u201d n\u00e3o devem ser vistos para que assim os lacradores pseudamente sintam-se bem e confort\u00e1veis.<\/h4><h4>Mesmo que mudem as leis jur\u00eddicas, a natureza animal-humana majorit\u00e1ria, medrosa e agressiva n\u00e3o muda em nada.<\/h4><h4>Este articulista exerceu a advocacia contenciosa por 25 anos. Acusou pessoas de crime. Obteve declara\u00e7\u00f5es de fal\u00eancias. Entre outras medidas de for\u00e7a,\u00a0 executou d\u00edvidas, tomou bens, despejou pessoas, retirou menores dos pais. Em raz\u00e3o disso tudo, recebeu 6 amea\u00e7as de morte.<\/h4><h4>Por sua vez, em 4 anos de dire\u00e7\u00e3o da Casa da Cr\u00edtica, publicou opini\u00f5es diversas em artigos como este, posts e v\u00eddeos em redes sociais sobre Pol\u00edtica, Filosofia, modos de ser, valores ideais e outros. J\u00e1 acumula mais de vinte amea\u00e7as de morte, entre outras hostiliza\u00e7\u00f5es. O n\u00famero de \u201ccurtidas\u201d cresce diariamente, mas o n\u00famero de haters, de \u201canula\u00e7\u00f5es\u201d, ofensas, desd\u00e9m, manifesta\u00e7\u00f5es de rancor est\u00e3o crescendo em maior ritmo.<\/h4><h4>Deste modo, percebe-se que tomar bens concretos de pessoas lhes torna muito menos rancorosas do que opinar contra a valida\u00e7\u00e3o de suas cren\u00e7as, posi\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos e etc.<\/h4><h4>Uns poucos n\u00e3o se importam com cr\u00edticas e n\u00e3o confirma\u00e7\u00f5es. Em menor n\u00famero est\u00e3o os que at\u00e9 apreciam ser criticados e n\u00e3o validados (caso dos nerds j\u00e1 citados). Ainda assim, e mesmo que n\u00e3o tenham praticado crimes, metem medo, n\u00e3o s\u00e3o apoiados e s\u00e3o cancelados em esquemas de persegui\u00e7\u00e3o disparados ainda que inconscientemente.<\/h4><h4>Vamos insistir que \u00e9 assim, sempre foi e sempre ser\u00e1 assim, porque isso s\u00e3o basais da natureza humana medo, orgulho e agressividade e podem operar grupalmente. A liberdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 basal e opera individualmente.<\/h4><h4>E o que o cancelado deve fazer? Deve preservar sua liberdade pelos meios apropriados, que s\u00e3o regar suas plantas, amar suas rosas porque o resto \u00e9 s\u00f3 sombra de \u00e1rvores alheias.<\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">SP, 04\/03\/22<\/span><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-34460447 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"34460447\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-59a19057\" data-id=\"59a19057\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3aef917d 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