{"id":20684,"date":"2021-07-16T15:31:25","date_gmt":"2021-07-16T18:31:25","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=20684"},"modified":"2021-07-16T15:40:05","modified_gmt":"2021-07-16T18:40:05","slug":"analfabetos-funcionais-masoquistas-e-fungos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/analfabetos-funcionais-masoquistas-e-fungos\/","title":{"rendered":"Analfabetos Funcionais, Masoquistas e Fungos"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"20684\" class=\"elementor elementor-20684\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-8668893 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"8668893\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7d0adc7\" data-id=\"7d0adc7\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7d3cbd0 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"7d3cbd0\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-xl\">ANALFABETOS FUNCIONAIS, MASOQUISTAS E FUNGOS<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-df68a9b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"df68a9b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Artigo de Vicente do Prado Tolezano.\u00a0<\/b><\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Este artigo se volta a associar muito intimamente e dar clareza a duas mazelas comun\u00edssimas, majorit\u00e1rias entre a popula\u00e7\u00e3o, mas, a rigor, s\u00f3 conhecidas,\u00a0 percebidas e apercebidas em termos grosseiros: o masoquismo e o analfabetismo funcional.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Os sensos meramente vulgares, caricatos, apontam que:<\/span><\/h4><ul><li><h4><span style=\"color: #000000;\">Masoquista seria quem padece de patologia de \u00edndole sexual envolvendo gosto por apanhar na cama ou, ainda, o \u201cgosto por sofrer\u201d;<\/span><\/h4><\/li><li><h4><span style=\"color: #000000;\">Analfabeto funcional seria aquele que tem restri\u00e7\u00e3o de \u00edndole cognitiva, tal que consegue ler, mas n\u00e3o capta significados mais sutis ou que n\u00e3o formula racioc\u00ednios.<\/span><\/h4><\/li><\/ul><h4><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 verdades nesses sensos comuns, mas em car\u00e1ter muito grosso modo. A rigor, tantos identificam alguns efeitos aparentes do masoquismo e do analfabetismo funcional e tratam os tais efeitos como se o caracter\u00edstico substancial ou causa dos tais fen\u00f4menos fossem.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 evidente que h\u00e1 doen\u00e7as propriamente ps\u00edquicas de pervers\u00e3o sexual (exemplos: fetichismo diversos, transtorno obsessivo e at\u00e9 coprofilia), tal como h\u00e1 doen\u00e7as propriamente neurol\u00f3gicas-cognitivas (dislexia, dem\u00eancia, d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, etc &#8230;). Essas dimens\u00f5es de assuntos n\u00e3o s\u00e3o focos deste artigo.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Tamb\u00e9m \u00e9 evidente que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de externalidade brutais sobre as pessoas como miserabilidade, desnutri\u00e7\u00e3o, traumas agudos, viol\u00eancias efetivas, etc &#8230; e que tamb\u00e9m n\u00e3o atinam com os focos deste artigo.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O masoquismo tanto quanto o analfabetismo funcional s\u00e3o formas de ren\u00fancia de liberdade. S\u00e3o doen\u00e7as prioritariamente de \u00edndoles ontol\u00f3gicas e existenciais, assumido, claro, que liberdade seja o nosso estado vital natural e sobrenatural humano saud\u00e1vel.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Pessoas n\u00e3o padecentes das doen\u00e7as sexuais, neurol\u00f3gicas ou v\u00edtimas de externalidades agudas acima apontadas podem padecer \u2013 e na maioria das vezes padecem &#8211; das doen\u00e7as existenciais de liberdade, pouco importando qualquer considera\u00e7\u00e3o de classe social, \u00e9tnica, religiosa, etc &#8230;<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o existe uma s\u00f3 pessoa que goste de sofrer, de apanhar, de ser humilhada, etc &#8230; Existe, contudo, a horr\u00edvel e grav\u00edssima \u201cdor de existir\u201d, no sentido de \u201cexistir por si\u201d. O masoquista e o analfabeto funcional, em medidas pr\u00f3prias, s\u00e3o farinha deste saco de horrores.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Erich Fromm (1900 &#8211; 1980), foi muito feliz e felicitante ao dar os contornos do car\u00e1ter daquele que padece de sentimentos cr\u00f4nicos de \u201csolid\u00e3o\u201d, de \u201cimpot\u00eancia\u201d ou \u201cinsignific\u00e2ncia\u201d e que, por isso, busca \u201cdesfazer-se do fardo da liberdade\u201d ou o \u201cesquecimento do pr\u00f3prio eu\u201d, cognominado de masoquista.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Vide a dic\u00e7\u00e3o exata do pr\u00f3prio autor aludido: \u201c<em>a pessoa masoquista quer que seu senhor seja uma autoridade fora dela mesma, quer seja interiorizado como uma consci\u00eancia ou uma compuls\u00e3o ps\u00edquica, poupa-se da necessidade de tomar decis\u00f5es e da responsabilidade \u00faltima sobre o destino de seu eu, e, portanto, da d\u00favida de qual a decis\u00e3o a tomar<\/em>\u201d.\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O masoquista relacionar-se-\u00e1 servilmente com seu \u201cdono de fato\u201d e \u00e9 longe da raridade que ser\u00e1 ele quem ter\u00e1 a iniciativa (sim, a \u00fanica iniciativa que masoquistas tomam) de buscar o tal dono.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o \u00e9 exatamente necess\u00e1rio que o tal dono buscado seja propriamente perverso (caso em que o dono ser\u00e1 chamado de s\u00e1dico), mas se o for simplesmente \u00e9 e o masoquista segue encalhado nessa simbiose mesmo se apanhar, for humilhado, etc &#8230;<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O masoquista \u201cfunciona\u201d a seu dono de alguma forma. Ele \u00e9 \u201cem fun\u00e7\u00e3o\u201d do dono, eis que n\u00e3o goza de substancialidade ou de a\u00e7\u00e3o j\u00e1 que essas dimens\u00f5es lhe provocam dor maior que a dores dos maus tratos. Sua \u00fanica categoria ontol\u00f3gica \u00e9 a de \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Podem ser donos do masoquista uma pessoa, algumas pessoas, grupo, chefe, \u00eddolo, sejam eles reais ou mesmo s\u00f3 fictos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Essa conforma\u00e7\u00e3o de modo de ser do masoquista \u00e9 absolutamente a mesma de um analfabeto funcional, ou seja, aquele que, conforme defini\u00e7\u00e3o de nossa autoria, \u201cl\u00ea para funcionar, mas n\u00e3o para significar\u201d.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Claro que se cuida de uma \u201cfalsa leitura\u201d, pois, a rigor, ler, no sentido pr\u00f3prio, \u00e9 pensar e, ainda mais rigorosamente, pensar \u00e9 sempre \u201cdecidir sentido\u201d, ou seja, \u00e9 significar.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A pr\u00f3pria etimologia latina de intelig\u00eancia, intelegere aponta a associa\u00e7\u00e3o entre \u201cler\u201d e \u201celeger\u201d. \u00c9 captar a variedade de sentidos por tr\u00e1s de qualquer signo e escolher um.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A leitura sem decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 leitura e, pois, \u00e9 s\u00f3 meio de mando, pr\u00f3prio do modo verbo gramatical imperativo, modo para o qual o analfabeto funcional verte tudo, pois n\u00e3o alcan\u00e7a modo verbal indicativo.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Pergunta a um analfabeto funcional se \u201ch\u00e1 um copo sobre a mesa\u201d. Ele, antes de responder, olha mais para interlocutor que para a mesa. Afinal, ele projeta em si \u201co que o interlocutor quer ou n\u00e3o quer de mim\u201d para funcionar para ele, mais do que significar a objetividade da pergunta ou da realidade concreta a mais do que a rela\u00e7\u00e3o entre ele e o \u201cdono\u201d do destino.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">D\u00e1 um romance a um analfabeto funcional. Ele continuar\u00e1 se perguntando \u201co que querem que eu fa\u00e7a com isso\u201d e poder\u00e1 absolutamente inst\u00e1vel ante que ele vai tentar \u2013 apesar de que n\u00e3o vai conseguir \u2013 transformar as letras do romance nas letras que\u00a0 ele alcan\u00e7a \u201cler\u201d: manual de regras, de procedimentos, comandos imperativos fixando limites, enfim ordens para ele cumprir.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A ele, na sua cosmovis\u00e3o difusa e mesmo inconsciente, s\u00f3 existe o c\u00f3digo alfab\u00e9tico porque \u00e9 meio de dar instru\u00e7\u00f5es, ordens, etc &#8230;, tal como a cosmovis\u00e3o do masoquista \u00e9 a da simbiose para com seu dono.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o precisa aplicar os testes do \u201ccopo\u201d ou \u201cdo romance\u201d s\u00f3 com \u201climpadores de latrina\u201d para verificar as efic\u00e1cias dos pr\u00f3prios testes. Eles s\u00e3o igualmente eficazes mesmo se feito com universit\u00e1rios. As ren\u00fancias de liberdades s\u00e3o muito socialmente democr\u00e1ticas, como j\u00e1 adiantado.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O modo verbal imperativo \u00e9 uma uni\u00e3o direta, milimetricamente paralela da simbiose que h\u00e1 entre o masoquista e seu dono, que se estabelece entre o analfabeto funcional e seu \u201cinstrutor\u201d (que pode ter \u201capar\u00eancia\u201d de interlocutor, mas \u00e9 s\u00f3 mandante mesmo).<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Pelo modo gramatical indicativo, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o \u201cdireta\u201d entre as pessoas, mas sim uma rela\u00e7\u00e3o indireta e \u201catrav\u00e9s da realidade indicada\u201d, maior do que ambos e sempre pass\u00edvel de confirma\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o, pondera\u00e7\u00e3o, entre tantas possibilidades decis\u00f3rios-interpretativas. Ou seja, \u00e9 dimens\u00e3o em que o parasita, qualidade do analfabeto funcional e do masoquista, n\u00e3o alcan\u00e7a, pois haveria de deixar de ficar \u201cparado\u201d junto ao dono simbi\u00f3tico.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">\u00a0O Analfabeto Funcional quer ser instru\u00eddo, instru\u00eddo e instru\u00eddo sobre o que deve exatamente fazer para sempre ter a certeza que n\u00e3o decidiu, ainda que, por vezes, busque a apar\u00eancia de que tivesse decidido alguma coisa.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Se souber que h\u00e1 algum erro, inclusive absurdo, numa ordem que recebeu, cumpre-a ainda assim fingindo que n\u00e3o entendeu o erro que efetivamente entendeu que existe. Isso de n\u00e3o significar lhe d\u00e1 um senso de aterramento ou perten\u00e7a simbi\u00f3tica, garantidor do parasitismo. Hannah Arendt (1906 &#8211; 1975) chamava-os de homenzinhos-obedientes-de-ordens, autora que j\u00e1 fixava a debilidade cognitiva como derivada da debilidade existencial do eu.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Afinal, nada, absolutamente nada, \u00e9 mais solit\u00e1rio que \u201ctomada de decis\u00e3o\u201d, seja ela qual for. No ato de decidir, quebra-se a in\u00e9rcia parasit\u00e1ria e sempre h\u00e1 um senso imediato de vazio e de responsabilidade pelo preenchimento que vir\u00e1 em seguida.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Decis\u00e3o, inclu\u00eddos interpreta\u00e7\u00e3o de um texto ou julgamento da bondade ou maldade de um afeto, \u00e9 o cume do encontro do \u201ceu consigo\u201d. Se o eu \u00e9 v\u00e1cuo, o encontro \u00e9 do nada com o nada, mais amedrontador ainda.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Para evitar a dor de decidir, significar ou de ter poderes concretos o masoquista aceita horrores afetivos, degenerativos de dignidade e garantidores do obst\u00e1culo \u00e0 progress\u00e3o, jogando jogos de simula\u00e7\u00e3o diversos em que a obedi\u00eancia ao s\u00e1dico e valoriza\u00e7\u00e3o do falso afeto dele tivesse algum valor, ao inv\u00e9s de simplesmente partir em busca de afetos honestos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O analfabeto funcional, a sua vez, aceita a sucessiva castra\u00e7\u00e3o de sua intelig\u00eancia, em processo igualmente degenerativo que obstaculiza progress\u00e3o, jogando jogos de simula\u00e7\u00e3o diversos em que se passar por mentecapto mesmo ante instru\u00e7\u00e3o absurda tivesse algum valor, ao inv\u00e9s de decidir o significado de qualquer contato direto com a realidade.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Afinal, parasita, por defini\u00e7\u00e3o, quer parar e para em algu\u00e9m ou algo que chama de \u201cdono\u201d.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Plat\u00e3o (428 \u2013 348 a.C.) tinha toda raz\u00e3o quando afirmou que a apar\u00eancia, apesar de ser igual ao nada, segue preferida pela maioria em detrimento da ess\u00eancia, que sempre \u00e9 din\u00e2mica. Se houvessem, naquela \u00e9poca diplomas de faculdade, ele teria inclu\u00eddo esse expediente ou fetiche na forma de apar\u00eancia.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">As semelhan\u00e7as ps\u00edquicas estruturais entre o masoquista e o do analfabeto funcional n\u00e3o s\u00e3o fruto do acaso, mas sim do caso mesmo. Ambas s\u00e3o o mesmo caso de car\u00e1ter parasit\u00e1rio de pessoas que renunciaram \u00e0 liberdade.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Monteiro Lobato (1882 &#8211; 1948), tenaz cr\u00edtico do car\u00e1ter parasit\u00e1rio predominantes entre n\u00f3s evocava a imagem de um urup\u00ea aos masoquistas e analfabetos funcionais. Urup\u00ea \u00e9 um fungo, que vive dos nutrientes do seu hospedeiro sem nunca propriamente agregar-lhe valor algum (nem d\u00e1 frutos a terceiros) e, ao reverso, mina-lhe a vitalidade, ainda que sutilmente.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 absolutamente imposs\u00edvel algu\u00e9m ser livre sem exigir \u201csinceramente\u201d tanto respeito e dignidade afetivos e intelectuais, seja dos outros, para com os outros ou mesmo consigo. A dispensa da sinceridade implica ren\u00fancia de liberdade pr\u00f3pria ou valida\u00e7\u00e3o das ren\u00fancias de liberdade alheias abrindo o espa\u00e7o ao imp\u00e9rio dos fungos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">As dignidades afetivas e intelectuais s\u00e3o mais \u00edntimas entre si que pessoas de m\u00e3os dadas. Acuradamente, a liberdade deve ter forma de moeda e tal que cara ser\u00e1 afeto e a coroa intelig\u00eancia ou vice-versa, mas aonde for a cara vai a coroa ou tamb\u00e9m vice-versa.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Nossos trabalhos de mentoria, viv\u00eancias e experi\u00eancia de contatos diretos corroboram inequivocamente que quem atrofia sua intelig\u00eancia a um patamar de analfabeto funcional vive em toxidade afetiva em alguma ou v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida ou vice-versa.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A sutileza causal, contudo, \u00e9 que liberdade pode ser buscada, mas n\u00e3o pode ser imposta. O ser livre busca afetos honestos e desenvolve sua intelig\u00eancia, inclusive para julgar os tais afetos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O ser que renunciou \u00e0 liberdade busca os afetos desonestos e o atrofiamento da sua intelig\u00eancia, pouco importando que o cadeado da corrente dos p\u00e9s esteja destravado e a porta da escola aberta.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A busca ou ren\u00fancia s\u00e3o quest\u00e3o de atitude e de natureza de predom\u00ednio metaf\u00edsico. As estruturas biol\u00f3gicas, neuronais e ps\u00edquicas sempre ajudam a \u201cdecis\u00e3o de liberdade\u201d ou a \u201cdecis\u00e3o de ren\u00fancia da liberdade\u201d, reafirmando o primado metaf\u00edsico sobre o f\u00edsico.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">No primeiro caso, o vetor flui para aumentar a consci\u00eancia das fragilidades e ignor\u00e2ncias que impedem a progress\u00e3o. A emo\u00e7\u00e3o de culpa costuma ajudar nesses casos. O livre dela se vale para ir corrigindo seus rumos. Vai ficando cada vez mais sens\u00edvel. Ele \u201cse\u201d (reflexivo mesmo) acha culpado se n\u00e3o der vaz\u00e3o \u00e0 liberdade. O dono dele \u00e9 ele mesmo, afinal.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">No segundo caso, o vetor flui para aumentar a ignor\u00e2ncia sobre as fragilidades e consci\u00eancias que mant\u00e9m o parasitismo simbi\u00f3tico. As emo\u00e7\u00f5es de orgulho ou vitimismo costumam ajudar nesses casos. O parasita delas se vale para ir mantendo seus fingimentos. Vai ficando cada vez mais insens\u00edvel e hostil contra quem n\u00e3o valida sua mis\u00e9ria, pouco importando as fotos p\u00fablicas em que beija seu s\u00e1dico e dos diplomas que acumula.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Nada \u00e9 mais metafisico que a liberdade, com eco material de satisfa\u00e7\u00e3o em afetos sempre honestos e autodidatismo. Todas as deturpa\u00e7\u00f5es ou corrup\u00e7\u00f5es que se lan\u00e7am ao termo liberdade como \u201cpoder\u201d, \u201cliberdade pol\u00edtica\u201d, \u201cdireitos\u201d, etc &#8230;, s\u00e3o, via de regra, s\u00f3 deturpa\u00e7\u00f5es mesmo.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Bem de ver, ademais, que metaf\u00edsica tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3 metaf\u00edsica mesmo, n\u00e3o \u00e9 pensamento m\u00e1gico.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Quem descobrir solu\u00e7\u00e3o para o problema do masoquismo ter\u00e1 achado tamb\u00e9m solu\u00e7\u00e3o para o problema do analfabetismo funcional e a rec\u00edproca \u00e9 verdadeira, pois essencialmente s\u00e3o a mesma coisa.<\/span><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a5ec9cd elementor-section-boxed 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Ambos s\u00e3o doen\u00e7as da liberdade e s\u00e3o parasit\u00e1rios como os fungos.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":20685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85,49],"tags":[409,193,548,583,212,584,84],"class_list":["post-20684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-artigos-educacao","tag-analfabetismo-funcional","tag-carater","tag-erich-fromm","tag-hannah-arendt","tag-masoquismo","tag-monteiro-lobato","tag-platao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20684"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20688,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20684\/revisions\/20688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}