{"id":18959,"date":"2021-01-16T22:49:47","date_gmt":"2021-01-17T01:49:47","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=18959"},"modified":"2021-01-17T14:20:57","modified_gmt":"2021-01-17T17:20:57","slug":"conviventes-amaveis-bajuladores-e-rixentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/conviventes-amaveis-bajuladores-e-rixentos\/","title":{"rendered":"Conviventes Am\u00e1veis, Bajuladores e Rixentos"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"18959\" class=\"elementor elementor-18959\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-72fe3206 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"72fe3206\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-58288334\" data-id=\"58288334\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-238700fa elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"238700fa\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Conviventes: Am\u00e1veis, Bajuladores e Rixentos<\/span><\/strong><\/h3>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-23a70526 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"23a70526\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-64ef5484\" data-id=\"64ef5484\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-75e32807 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"75e32807\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4><span style=\"color: #000000;\">Autor: Vicente do Prado Tolezano<\/span><\/h4><h4>A amabilidade (afabilidade\/cortesia\/eleg\u00e2ncia\/do\u00e7ura) \u00e9 virtude que expressa uma forma excelente de conviver. A pessoa de car\u00e1ter am\u00e1vel se ocupa em agradar, de um modo geral, a todas as pessoas por um senso de sensibilidade \u00e0 humanidade delas, pouco importando as respectivas condi\u00e7\u00f5es socio-econ\u00f4micas, pol\u00edticas, educacionais, etc &#8230;<\/h4><h4>Seguramente, o leitor conhece pessoas que agem amavelmente aqui e asperamente acol\u00e1, ou, que viram a chave amabilidade\/aspereza no mesmo ambiente, mas se alterado o interlocutor. N\u00e3o s\u00e3o pessoas de car\u00e1ter am\u00e1vel, mas manipuladoras, eis que agradam (bajulam)\/desagradam (assediam) de acordo com interesses ou posicionamentos de poder.<\/h4><h4>Por car\u00e1ter dizemos que \u00e9 o padr\u00e3o mais constante \u201cativo\u201d de algu\u00e9m (atitude), determinado pelas suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es internas, com pouco sopesamento das for\u00e7as das circunst\u00e2ncias. Se, ao reverso, s\u00e3o as circunst\u00e2ncias que preponderam sobre a a\u00e7\u00e3o, o caso \u00e9 de falta de car\u00e1ter propriamente dito, trocado por, ao limite, \u201cpadr\u00f5es de rea\u00e7\u00e3o\u201d (comportamento).<\/h4><h4>Ocupar-se de agradar em geral n\u00e3o implica, obviamente, agradar ilimitadamente, mas sim agradar quem e pelo que seja digno de ser agradado, tal como desagradar quem e pelo que seja digno de desagrado. Mesmo nesse \u00faltimo caso, urge sensibilidade at\u00e9 na elei\u00e7\u00e3o da forma adequada de desagradar\/frustrar algu\u00e9m.<\/h4><h4>\u00c0s condutas, viciadas, de agradar sem crit\u00e9rio objetivo, seja por louvar algo n\u00e3o louv\u00e1vel de algu\u00e9m ou mesmo exagerar no louvor que seja devido, se d\u00e3o os nomes de bajula\u00e7\u00f5es ou dos sin\u00f4nimos de adula\u00e7\u00f5es ou lisonjas.<\/h4><h4>S\u00e3o trocas ou tentativas de trocas desonestas de afetos. S\u00e3o v\u00edcios por excesso de amabilidade, tal que esta \u00e9 s\u00f3 posti\u00e7a, leviana. Constituem antessala dos esquemas de sedu\u00e7\u00e3o, totalmente vazios de cuidado ou aten\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade.<\/h4><h4>\u00c0s condutas, tamb\u00e9m viciadas no outro sentido, de desagradar sem crit\u00e9rio objetivo, seja por n\u00e3o reconhecer valores devidos de algu\u00e9m, seja por prover desqualifica\u00e7\u00f5es pessoais (verbais, gestuais ou at\u00e9 f\u00edsicas) desarrazoadas ou por outorga de indiferen\u00e7a\/impaci\u00eancia se nomeiam de rixa, g\u00eanero que re\u00fane as esp\u00e9cies do despeito, emp\u00e1fia ou menoscabo, por vezes expl\u00edcitas ou insinuadas.<\/h4><h4>S\u00e3o v\u00edcios por d\u00e9ficit ou at\u00e9 v\u00e1cuo de amabilidade. Tamb\u00e9m habitam na quadra dos afetos desonestos. Seu esquema de fundo costuma ser de orgulho\/jact\u00e2ncia.<\/h4><h4>Os encontros humanos evocam, ainda que inconscientemente, uma quest\u00e3o de \u201cpoder\/medo\u201d. Afinal, todo animal tem aparatos instintivos que n\u00e3o costumam dormir e o mais basal dos instintos \u00e9 o par da luta e fuga, ligado a um senso bruto de sobreviv\u00eancia.<\/h4><h4>Por ele, instigam-se as tens\u00f5es: \u201cser\u00e1 outro mais forte que eu e me implica uma amea\u00e7a\u201d ou \u201cse \u00e9 mais fraco que saiba seu lugar e n\u00e3o me vire uma amea\u00e7a\u201d, as quais vertem rea\u00e7\u00f5es divididas pelo dilema de se \u201chostilizo\/confronto diretamente\u201d ou \u201cneutralizo\/distraio-o sutilmente\u201d.<\/h4><h4>Louis Lavelle (1883 \u2013 1951) foi muito assertivo e feliz no particular da densidade emocional imediata dos encontros com o \u201coutro\u201d: <em>\u201c&#8230; anuncia-nos ele a paz ou a guerra? Vem invadir o espa\u00e7o onde agimos, reduzir os limites da nossa experi\u00eancia e nos expulsar para se estabelecer no dom\u00ednio que ocupamos<\/em>\u201d?<\/h4><h4>Arist\u00f3teles (384 \u2013 322 a.C.) se ocupou expressamente da amabilidade, virtude que s\u00f3 se alcan\u00e7a com autodom\u00ednio ou temperan\u00e7a sobre e cujos efeitos se veem pela capacidade de conviver com as pessoas de distintas categorias \u201c<em>tratando cada qual com a defer\u00eancia adequada<\/em>\u201d, ou seja, sob um senso de mediania, que, destaque-se, sempre \u00e9 objetivo.<\/h4><h4>O fil\u00f3sofo grego assentou que o am\u00e1vel h\u00e1 at\u00e9 de se encolerizar, tanto que haja motivos para isso. Os est\u00fapidos em geral s\u00e3o os que podem \u201c<em>encolerizar-se com a pessoa errada, por coisas erradas, mais do que o razo\u00e1vel, mais depressa ou durante muito tempo<\/em>\u201d; ou seja, t\u00eam afetos dissociados da raz\u00e3o.<\/h4><h4>Virtude \u00e9 sempre medida pela r\u00e9gua da objetividade e tanto que a falta de c\u00f3lera em situa\u00e7\u00f5es pontuais em que seja devida \u00e9 ou apatia afetiva pr\u00f3pria de servos, v\u00edcio da covardia ou, ainda, o combinado de ambas, que caracteriza o car\u00e1ter masoquista, que de am\u00e1vel e amoroso, no sentido pr\u00f3prio, n\u00e3o tem absolutamente.<\/h4><h4>Masoquistas que bajulam seus s\u00e1dicos ou que rixem com eles se pararem de bater existem na mesma propor\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 peixes no oceano.<\/h4><h4>S\u00f3 pessoas extremamente rasas, fracas, enxergam alguma for\u00e7a na brutalidade rixenta ou nas bajula\u00e7\u00f5es meladas. A rigor e na vast\u00edssima maioria das situa\u00e7\u00f5es, \u201c<em>a do\u00e7ura est\u00e1 t\u00e3o distante da fraqueza que somente ela, ao contr\u00e1rio, possui uma for\u00e7a verdadeira<\/em>\u201d, asserto de Lavelle, que, de certa forma, parafraseia um senso pr\u00f3prio da for\u00e7a do misericordioso.<\/h4><h4>A franca escassez da do\u00e7ura\/amabilidade\/veracidade nos conv\u00edvios sociais em geral revela o padr\u00e3o de acuamento instintivo-animal, sen\u00e3o at\u00e9 bestial, que predomina.<\/h4><h4>\u00c9 evidente que \u00e9 poss\u00edvel a considera\u00e7\u00e3o esperan\u00e7osa sobre se o \u201coutro\u201d, ao reverso de perigo, vai at\u00e9 ampliar os nossos horizontes, cooperar conosco e porque n\u00e3o, at\u00e9 eventualmente nos dar a d\u00e1diva espiritual da amizade. Tal considera\u00e7\u00e3o, contudo, demanda a supera\u00e7\u00e3o instintiva e a elabora\u00e7\u00e3o existencial m\u00ednima. Ou seja, demanda virtude.<\/h4><h4>As contas dos v\u00edcios contr\u00e1rios \u00e0 amabilidade n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 a restri\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o material humana, mas incluem amargos desvios de sanidade ps\u00edquica.<\/h4><h4>Veja, no sentido acima, que interlocucionar, em termos pr\u00f3prios, retos, am\u00e1veis, objetivos, com a alteridade \u00e9 medida que urge n\u00e3o s\u00f3 para a articula\u00e7\u00e3o coletiva material dos bens comuns, mas tamb\u00e9m porque \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para amadurecimento do \u201cdi\u00e1logo intralocutivo\u201d (consci\u00eancia individual plena).<\/h4><h4>Sem amabilidade efetiva, troca-se interlocu\u00e7\u00e3o social (palavra que poucos conhecem) por meras \u201cintera\u00e7\u00f5es sociais\u201d (mais conhecida porque \u00e9 quase a \u00fanica a\u00e7\u00e3o que existe) meramente afetivas, basais, brutas e levianas como acima apontado.<\/h4><h4>\u00c9 fora do razo\u00e1vel esperar que quem n\u00e3o cultive a amabilidade nos conv\u00edvios externos, pratique-a consigo, pois fica, no m\u00ednimo dessensibilizado, e tal que ser\u00e1 bruto consigo, inepto ao di\u00e1logo interior (que \u00e9 nossa estrutura consci\u00eancia at\u00e9 na solid\u00e3o), podendo nem mais e ouvir e tamb\u00e9m, o que \u00e9 frequente, muito se \u201cauto adular\u201d, caracterizando, no extremo, solipsismo e outras vacuidades da fam\u00edlia nihilista.<\/h4><h4>Martin Buber (1878 \u2013 1965) advertia que \u201co mundo \u00e9 duplo para o homem, segundo a dualidade de sua atitude\u201d, tal que se nas rela\u00e7\u00f5es para com a alteridade ele n\u00e3o as trata como um par \u201ceu-tu\u201d, ele se torna um \u201ceu-isso\u201d, pois n\u00e3o existe um \u201ceu-em si\u201d n\u00e3o relacional. Quem coisifica sistematicamente a alteridade por esquemas conceituais ou de resposta meramente ps\u00edquica coisifica-se, pois. Toda coisifica\u00e7\u00e3o \u00e9 evitativa justamente do encontro com a humanidade. \u00a0<\/h4><h4>Uma pista fisiol\u00f3gica, entre outras, da ocorr\u00eancia da coisifica\u00e7\u00e3o e embrutecimento aqui tratado \u00e9 a pele, que fica ressecada, poros fechados, tendente, n\u00e3o sem \u00f3bvia raz\u00e3o, \u00e0 aspereza. Ali\u00e1s, o corpo \u00e9 um grande dedo-duro de desvio de afetos.<\/h4><h4>Se o assunto do aperfei\u00e7oamento da virtude de bem conviver te interessa, conhe\u00e7a o<a href=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/curso-de-comunicacao-empatica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Emp\u00e1tica da Casa da Cr\u00edtica e tonifique essas habilidades sociais e de autodesenvolvimento. 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A pessoa de car\u00e1ter am\u00e1vel se ocupa em agradar, de um modo geral, a todas as pessoas por um senso de sensibilidade \u00e0 humanidade delas, pouco importando as respectivas condi\u00e7\u00f5es socio-econ\u00f4micas, pol\u00edticas, educacionais, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":18965,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85,50,1],"tags":[44,573,574,117,571,572],"class_list":["post-18959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-artigos-amor-consciencia-e-liberdade","category-sem-categoria","tag-aristoteles","tag-bajulacao","tag-instinto","tag-louis-lavelle","tag-martin-buber","tag-rixa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18959"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18959\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19011,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18959\/revisions\/19011"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}