{"id":16858,"date":"2020-11-25T22:30:35","date_gmt":"2020-11-26T01:30:35","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=16858"},"modified":"2020-11-25T22:53:48","modified_gmt":"2020-11-26T01:53:48","slug":"075-texto-textura-e-inteligencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/075-texto-textura-e-inteligencia\/","title":{"rendered":"075 &#8211; Texto, Textura e Intelig\u00eancia"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"16858\" class=\"elementor elementor-16858\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-7b5ca9b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7b5ca9b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-eb0f33d\" data-id=\"eb0f33d\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-dcf5b29 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"dcf5b29\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">075 \u2013 Texto, Textura e Intelig\u00eancia<\/span><\/strong><\/h3>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0a0481b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0a0481b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9600725\" data-id=\"9600725\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d0ca109 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d0ca109\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4><span style=\"color: #000000;\">Autor: Vicente do Prado Tolezano<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 comum que de edif\u00edcios se fa\u00e7am maquetes. Por meio dessas, se pr\u00e9-conhecem aqueles, tal que, quando h\u00e1 o encontro real com o edif\u00edcio, at\u00e9 a sua percep\u00e7\u00e3o fica tonificada.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Por vezes, se fazem maquetes sem haver um edif\u00edcio faticamente associado a elas, que, assim, se referem a um \u201cpr\u00e9dio ficto\u201d. Contudo, mesmo as \u201cleituras\u201d dessas maquetes tendem a tonificar as percep\u00e7\u00f5es de diversos aspectos de pr\u00e9dios existentes, ainda que n\u00e3o propriamente associados.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Estabelecida uma percep\u00e7\u00e3o (por meio direto, similitude ou fic\u00e7\u00e3o), disparam-se esquemas mentais\/intelectivos de conceitua\u00e7\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o, compara\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de s\u00ednteses, totais ou parciais, do objeto com outros objetos, que, atentamos, podem ser f\u00e1ticos ou fictos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Ou seja, com a percep\u00e7\u00e3o nasce a leitura no seu sentido amplo em que \u201cler \u00e9 pensar\u201d e todo \u201cpensamento \u00e9 leitura\u201d, pouco relevando se se l\u00ea um \u201ctexto\u201d ou diretamente a \u201ctextura da realidade\u201d.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">O texto est\u00e1 para a textura da realidade tal como a nossa maquete estava para a concretude do edif\u00edcio.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Ou seja, a leitura de textos presta-se para tonificar nossa leitura da realidade, seja quanto \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de conte\u00fados da realidade, seja quanto \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio do processo intelectivo, que, como adiantado, coincide com o pr\u00f3prio processo de bem ler.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Se o ato de leitura, contudo, se limita a um m\u00ednimo perceptivo como quem meramente recebe uma instru\u00e7\u00e3o\/ordem ou mesmo uma singela comunica\u00e7\u00e3o desprovida da sequ\u00eancia intelectiva j\u00e1 aludida, cuida-se, acuradamente, de pseudo leitura, exatamente aquela que fazem os analfabetos funcionais.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Uma apertada defini\u00e7\u00e3o de analfabetismo funcional pode ser: a leitura sem o pensamento, ou seja, um ato meramente material, sem envolver a dimens\u00e3o espiritual da intelig\u00eancia. Em terminologia mais especializada se diz ALFABETIZA\u00c7\u00c3O sem LETRAMENTO.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Algu\u00e9m pode questionar a possibilidade de haver pessoas inteligentes (letradas) sem que sejam alfabetizadas e \u00e9 certo que isso existe.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se perca de vista, afinal, que intelig\u00eancia \u00e9 uma dota\u00e7\u00e3o natural nossa e a escrita \u00e9 um invento para tonificar a pot\u00eancia natural. Nos seus prim\u00f3rdios, a escrita inclusive era imag\u00e9tica e se estruturava por s\u00edmile aos objetos representados, tal como a nossa maquete.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 teses s\u00f3brias de que at\u00e9 S\u00f3crates (469 &#8211; 399\u00a0a.C.), o pai da filosofia no Ocidente fosse analfabeto. Doutra banda, \u00e9 sabido que Guimar\u00e3es Rosa (1908 &#8211; 1967) teceu seu tesouro liter\u00e1rio ambientado nos sert\u00f5es, pois o sertanejo, a despeito de analfabeto, \u00e9 inteligente, eis que l\u00ea a realidade diretamente e por uma necessidade vital imediata. Pessoas sem intelig\u00eancia morrem logo no sert\u00e3o.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Em todo caso, o que urge destacar \u00e9 que a literatura ocupa o primeiro lugar do p\u00f3dium dos meios de estimula\u00e7\u00e3o e tonifica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Por exemplo, quem l\u00ea um romance cl\u00e1ssico se depara com uma composi\u00e7\u00e3o de perceptos, fictos, contextos, ordens de causalidade, intencionalidades por interpretar, subjetividades, perfis ps\u00edquicos, perfis de car\u00e1ter, elementos culturais, mentalidades, espacialidade, temporalidade, etc &#8230;, tal como uma muito boa maquete da realidade.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Voltamos a salientar que a estrutura investigativa sobre o texto-maquete, (chamada nas escolas de interpreta\u00e7\u00e3o) \u2013 consistente em perceber objetivamente todos os elementos, entender\/elabor\u00e1-los (conceituar, classificar, comparar, etc &#8230;) e decidir\/interpretar (valorar, dissociar, sintetizar, concluir, etc &#8230;) \u2013 \u00e9 exatamente a mesma estrutura de investiga\u00e7\u00e3o da realidade-edif\u00edcio.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Fica evidente que o n\u00e3o fomento da cultura liter\u00e1ria implica em prov\u00e1vel esterilidade intelectual. Equivale a supor que engenheiros levantem edif\u00edcios sem pr\u00e9vias maquetes.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Pouqu\u00edssimas pessoas sabem interpretar textos no Brasil e, logo, s\u00e3o tamb\u00e9m pouqu\u00edssimos os brasileiros inteligentes. N\u00e3o s\u00f3 os exames internacionais como PISA, The Learning Curve atestam-nos no fim da fila do letramento, mas mesmo a experi\u00eancia social direta confirma isso.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">\u00c0 guisa de exemplo, vide o caso dos advogados. Via de regra, mais de 80% dos bachar\u00e9is s\u00e3o cronicamente barrados no exame da OAB, exame esse que absolutamente nada tem de excepcional ou capcioso. A rigor, cuida de exame que peneira candidatos que sejam analfabetos brutos, pois dos 20% aprovados grande parte padece de analfabetismo funcional.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Este articulista \u00e9 advogado e testemunha a situa\u00e7\u00e3o deprimente de tantos e tantos operadores do direito capazes de i) copiar peti\u00e7\u00f5es e despachos; ii) cumprir procedimentos; iii) empregar um pouco da mem\u00f3ria meramente operacional e totalmente incapazes, por sua vez de: i) articular um arrazoado com defini\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o, desenvolvimento e conclus\u00e3o; ii) usar ponto, v\u00edrgula, ponto e v\u00edrgula, separar par\u00e1grafos, iii) separar fato de opini\u00e3o, impress\u00e3o de ju\u00edzos, dedu\u00e7\u00f5es de conjecturas; iv) parafrasear textos que leia; v) usar conectivos de adi\u00e7\u00e3o, de adversidade, de disjun\u00e7\u00e3o; vi) identificar \u00eanfases e vieses textuais, etc &#8230;<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Ou seja, se carente o ferramental textual b\u00e1sico, nem se pode cogitar no que \u00e9 pr\u00f3prio da atividade judicial que \u00e9 a \u201cestrat\u00e9gia\u201d, a capacidade de projetar cen\u00e1rios razo\u00e1veis e se antecipar a eles com uma malha articulada de op\u00e7\u00f5es e meios argumentativos j\u00e1 buscados para responder e mesmo criar dial\u00e9ticas.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Tais contingentes \u201coperam\u201d no \u00e2mbito judicial porque h\u00e1 franca degrada\u00e7\u00e3o do sistema jur\u00eddico como um todo do foco em SEM\u00c2NTICA para foco em mero CUMPRIMENTO PROCEDIMENTAL.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Indague aos advogados ineptos se eles gostam de ler. A resposta praticamente un\u00edssona \u00e9 SIM. Indague da\u00ed qual o \u00faltimo romance que leram. N\u00e3o lembram. Pergunte ent\u00e3o dos contos. Igualmente n\u00e3o leram. Passe para cr\u00f4nicas, pe\u00e7as de teatro, tratados de juristas, obras cient\u00edficas, etc &#8230; e a resposta \u00e9 a de que n\u00e3o lembram.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Muito majoritariamente o que os caus\u00eddicos leram s\u00e3o apostilas de faculdade, manuais e resum\u00f5es legislativos, guia de modelos de peti\u00e7\u00f5es, etc &#8230;, ou seja, nunca leram algo para aperfei\u00e7oar a intelig\u00eancia, coisa pr\u00f3pria da cultura liter\u00e1ria como aludimos.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">S\u00f3 leram coisas para passar na prova e ter alguma instru\u00e7\u00e3o imediatista de a\u00e7\u00e3o, tal como um oper\u00e1rio de obra a quem se diz a fun\u00e7\u00e3o material imediata, mas sem necessidade dele conhecer a maquete porque, afinal, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o caso dele perceber o pr\u00f3prio edif\u00edcio.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\"><em>Mutatis mutandis<\/em>, o que se passa no direito n\u00e3o difere das demais \u00e1reas.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">Tirantes as exce\u00e7\u00f5es, quem n\u00e3o leu n\u00e3o intelige bem. E como que quem n\u00e3o intelige bem pode correr atr\u00e1s do preju\u00edzo como? A resposta \u00e9 \u00fanica: lendo.<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se olvide, contudo, que h\u00e1 um fluxo necess\u00e1rio de progress\u00e3o. \u00c9 absolutamente imposs\u00edvel que quem n\u00e3o tenha a atitude leitora passe a t\u00ea-la iniciando com Dostoievski, Dante, Virg\u00edlio, etc &#8230; H\u00e1 de come\u00e7ar com f\u00e1bula, cr\u00f4nica, conto, novela, romances menores, etc &#8230;<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">A\u00ed vem o grande problema: \u201cvergonha de voltar\u201d. Os quarent\u00f5es, cinquent\u00f5es, na maioria das vezes, t\u00eam vergonha de ler o be-a-b\u00e1 da cultura e insistem na leitura do edif\u00edcio sem ler a maquete e podem at\u00e9 se vangloriar disso. Afinal de contas, de gente n\u00e3o inteligente n\u00e3o se deve esperar solu\u00e7\u00e3o inteligente mesmo. \u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/h4><h4><span style=\"color: #000000;\">SP, 25\/11\/20<\/span><\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ler \u00e9 pensar. Lemos texto para tonificar nossa leitura da realidade (textura). Ler sem pensar \u00e9 pr\u00e1tica de analfabetismo funcional. H\u00e1 como correr atr\u00e1s do preju\u00edzo: lendo o que n\u00e3o se leu antes.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":16859,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[49],"tags":[559,564,410],"class_list":["post-16858","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-educacao","tag-casa-da-critica","tag-interpretacao-de-texto","tag-leitura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16858"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16858\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16870,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16858\/revisions\/16870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}