{"id":15995,"date":"2020-10-23T13:35:50","date_gmt":"2020-10-23T16:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=15995"},"modified":"2020-10-23T13:42:18","modified_gmt":"2020-10-23T16:42:18","slug":"moral-x-etica-confusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/moral-x-etica-confusao\/","title":{"rendered":"073 &#8211; Moral X \u00c9tica &#8211; Confus\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"15995\" class=\"elementor elementor-15995\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-001131b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"001131b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8f167a4\" data-id=\"8f167a4\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8cc4da0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"8cc4da0\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">073 &#8211; Moral x \u00c9tica &#8211; Confus\u00e3o<\/span><\/strong><\/h3>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-25416b4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"25416b4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d775870\" data-id=\"d775870\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-90ddfec elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"90ddfec\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4>Autor: Vicente do Prado Tolezano<\/h4><h4>S\u00e3o muitas as confus\u00f5es sem\u00e2nticas entre Moral e \u00c9tica, ao ponto em que alguns tratam-nos como sin\u00f4nimos e outros chamam por Moral o que outros chamam por \u00c9tica e vice-versa.<\/h4><h4>Antes dos nomes, vamos aos dois conceitos envolvidos na confus\u00e3o.<\/h4><h4>O que eles t\u00eam em comum \u00e9 que s\u00e3o ideais, no sentido de que envolvem um senso n\u00e3o meramente de descri\u00e7\u00e3o do SER DO MUNDO, mas sim do DEVER SER DO MUNDO e tal que o desenvolvimento de disciplinas da moral e da \u00e9tica se prestam a orientar condutas para o \u201cagir certo\u201d das pessoas.<\/h4><h4>Uma a\u00e7\u00e3o pode ser \u201ccerta ou errada\u201d para a persecu\u00e7\u00e3o da felicidade humana, mas sem que exista paralelo exato se \u00e9 \u201ccerta ou errada\u201d para a viabiliza\u00e7\u00e3o da vida comum.<\/h4><h4>Este articulista abona a tese, seguindo as propostas cl\u00e1ssicas aristot\u00e9lica e latina, de que a felicidade \u00e9 predominantemente um bem absoluto, atemporal e independente da cultura. Chamamos de MORAL o estudo de busca e sistematiza\u00e7\u00e3o dos valores (causas) para as a\u00e7\u00f5es humanas (efeitos) orientadas \u00e0 felicidade (finalidade).<\/h4><h4>O sentido aqui empregado, a sua vez, de felicidade n\u00e3o se confunde com a mera posse de prazeres; acuradamente, vemo-la como a tomada de um fluxo ativo de perfectibilidade. Ou seja, mais acuradamente ainda, temos que \u00e9 a progress\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es corretas que outorga a felicidade.<\/h4><h4>A exemplo, matar \u00e9 a\u00e7\u00e3o pelas regras jur\u00eddicas, mas tamb\u00e9m \u00e9 vedada em sentido moral absoluto, tal que, ainda que os Estados consintam o homic\u00eddio, sua pr\u00e1tica n\u00e3o outorga felicidade sequer ao matador, pouco importando se ele at\u00e9 tiver \u201cprazer\u201d em matar ou o quanto ele finja a felicidade que n\u00e3o tem.<\/h4><h4>A a\u00e7\u00e3o imoral traz tristeza, ainda que tardia e difusamente percebida, caso em que pode se camuflar no sentimento de \u201cang\u00fastia\u201d.<\/h4><h4>O rastreamento etimol\u00f3gico de \u201c<strong>felicidade<\/strong>\u201d remete-nos \u00e0 FELIX, da cepa latina, e a PHYO, da cepa grega, ambos concernentes semanticamente \u00e0s no\u00e7\u00f5es de \u201cproduzir\u201d, \u201cfecundar\u201d, \u201cfrutificar\u201d, etc &#8230;<\/h4><h4>Disso, resta claro que o \u00e1pice do t\u00f4nus moral \u00e9 a pr\u00e1tica do amor, que, no \u00e2mago, consiste em n\u00e3o s\u00f3 frutificar, mas tamb\u00e9m fortificar outros para que estes frutifiquem e tal que concorram \u00e0 abund\u00e2ncia de efeitos.<\/h4><h4>Fica evidente, nessa ordem, que MORAL, como aqui empregada em sentido espiritual-vertical, se entrosa com cosmovis\u00e3o de \u201cre-liga\u00e7\u00e3o\u201d transcendente, tema pr\u00f3prio das religi\u00f5es e da vida espiritual de um modo geral. Frutifica\u00e7\u00e3o de que aqui tratamos, a seu turno, \u00e9 a frutifica\u00e7\u00e3o de bens espirituais.<\/h4><h4>A ilustra\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica magistral na defesa da exist\u00eancia de valor moral transcendente absoluta para ser captada pela raz\u00e3o como imperativo da felicidade foi-nos brindada pelo dramaturgo S\u00f3focles (497 \u2013 406 a.C.) pela pe\u00e7a Ant\u00edgona, em que a protagonista de mesmo nome se esfor\u00e7a e desprende para, sob todo pre\u00e7o, convencer Creonte a enterrar Polinice, pois decorre da lei natural e divina que \u201c<em>os mortos merecem enterro<\/em>\u201d, nada importando a opini\u00e3o do Rei sobre isso. \u00a0<\/h4><h4>Ant\u00edgona seria mais feliz (e mais \u201cperfeita\u201d) morrendo (ou seja, sob superlativo desprazer) para enterrar Polinice que se vivesse sob o peso da covardia de n\u00e3o ter enfrentado Creonte.<\/h4><h4>O cerne \u00e9 que a porta da perfectibilidade moral \u00e9 aberta apenas a quem queira voluntariamente entrar (liberdade), sendo louv\u00e1vel o est\u00edmulo a esse movimento de entrada, mas absurdo exigir a entrada \u00e0 f\u00f3rceps. Afinal, amor e atitude passados a contragosto e por medo do porrete s\u00e3o s\u00f3 medo mesmo e nada feito sob esse efeito tem o \u201ccar\u00e1ter produtivo\u201d de bem espiritual.<\/h4><h4>A soberania das exig\u00eancias em temas morais \u00e9 da \u201cauto consci\u00eancia\u201d, o que, contudo, n\u00e3o implica dizer que moral seja dom\u00ednio relativista, do subjetivismo, etc &#8230; Que n\u00e3o incorra o leitor no erro comum de confundir a possibilidade de \u201cdissenso inter ou at\u00e9 intra-humano\u201d como prova de relativismo da realidade.<\/h4><h4>Urge ver que a estrutura consciencial reta demanda a objetividade, mas \u00e9 \u00f3bvio que ela pode \u201cdessensibilizada\u201d, \u201catrofiada\u201d, \u201cequivocada\u201d ou at\u00e9 mesmo \u201cpervertida\u201d, limites da cogni\u00e7\u00e3o e do psiquismo, mas n\u00e3o da realidade.<\/h4><h4>Mas vivemos em sociedade de multid\u00f5es e essas vidas h\u00e3o de ser vi\u00e1veis para evitar o caos pr\u00e1tico. Ao conjunto de estudo, sistematiza\u00e7\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es tendentes a fazer vi\u00e1vel a conviv\u00eancia chamamos de \u00c9TICA.\u00a0<\/h4><h4>Muito a rigor, a l\u00f3gica central incutida na dimens\u00e3o \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 exatamente de uma orienta\u00e7\u00e3o para uma vida feliz, mas sim \u00e9 um senso de limites de exigibilidades rec\u00edprocas entre as gentes.<\/h4><h4>Noutras palavras, a estrutura \u00e9tica, seja decorrente da cultura\/costume, da lei escrita, estabelece grosseiramente: a) o que algu\u00e9m pode exigir ou se preservar de outro (direito); b) o que algu\u00e9m h\u00e1 de prestar a outro ou dele tolerar (dever).<\/h4><h4>As distin\u00e7\u00f5es do dom\u00ednio moral para o dom\u00ednio \u00e9tico para o dom\u00ednio moral s\u00e3o evidentes, pois trocam capturas de ordem natural\/espiritual para convencional e senso puro de assun\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de dever para um esquema de exigibilidade dualista de direito\/dever e, ainda, a m\u00e9trica de produtividade para a de distribui\u00e7\u00e3o.<\/h4><h4>Vivemos era superlativamente \u00e9tica e minimamente moral, ao passo de, como adiantamos, tantos n\u00e3o \u201cenxergam\u201d as diferen\u00e7as entre MORAL e \u00c9TICA, fen\u00f4meno j\u00e1 identificado por soci\u00f3logos como a \u201cera dos direitos\u201d, que, por sua vez, decorre de uma cosmovis\u00e3o de que o \u201chomem \u00e9 filho do meio\/sociedade\u201d, abordagem \u00edrrita aos moralistas.<\/h4><h4>A chamada \u201c\u00e9tica cidad\u00e3\u201d, \u201c\u00e9tica dos direitos humanos\u201d, os \u201cdireitos sociais\u201d, etc &#8230; t\u00eam cara, jeito e cheiro de estruturas morais, mas s\u00e3o sistemas \u00e9ticos, eis que se focam nas \u201cexigibilidades\u201d e no horizonte social, num esquema em que \u201cser sujeito de direitos e deveres individuais e sociais\u201d dentro de uma estrutura de distribui\u00e7\u00e3o (\u201cjusti\u00e7a social\u201d) \u00e9 o \u00e1pice.<\/h4><h4>Desde uma simples regra de tr\u00e2nsito, passando por regulamentos escolares ou profissionais, regula\u00e7\u00e3o da economia, gest\u00e3o do Estado, etc &#8230; est\u00e1-se nos limites da dimens\u00e3o \u00e9tica. \u00c9 evidente o quanto a \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 universal, mas convencional por sociedade, por \u00e9pocas, por interesses de ocasi\u00e3o, etc &#8230;<\/h4><h4>No sentido aqui empregado \u00e9tica \u00e9 a antessala do direito e da pol\u00edtica, atividades em que a perspectiva consequencialista n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muito forte, mas determinante.<\/h4><h4>\u00c9 \u00f3bvio que atritos entre \u00e9tica e moral existem aos montes e n\u00e3o s\u00e3o o bus\u00edlis deste artigo, que se limita ao discernimento entre as duas dimens\u00f5es MORAL e \u00c9TICA.<\/h4><h4>Essa quest\u00e3o \u2013 do discernimento \u2013 j\u00e1 foi enfrentada de certa forma por Arist\u00f3teles (385 \u2013 322 a.C.) quando apontava as diferen\u00e7as entre a l\u00f3gica da Vida Bem Sucedida (certa forma de \u00c9tica), com m\u00e9trica no reconhecimento e posicionamento social, (forma de bens materiais e prazeres), e da Vida Boa (certa forma de Moral), cuja m\u00e9trica \u00e9 um senso de bastar-se por fidelidade\/entrega \u00e0 dimens\u00e3o contemplativa da realidade, outorgante de felicidade ainda que desprazerosa.<\/h4><h4>Sem estruturas \u00e9ticas, a vida \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel. Sem estruturas morais, a vida \u00e9 poss\u00edvel, mas \u00e9 simplesmente triste\/angustiante, pois n\u00e3o se aperfei\u00e7oa nem bem se realiza.<\/h4><h4>\u00a0S\u00e3o Paulo, 23\/10\/20<\/h4>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-737f90be elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"737f90be\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4ad6f8f\" data-id=\"4ad6f8f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-472d51da elementor-widget-divider--view-line 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