{"id":15548,"date":"2018-08-11T23:23:00","date_gmt":"2018-08-12T02:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=15548"},"modified":"2020-09-05T23:28:49","modified_gmt":"2020-09-06T02:28:49","slug":"ivana-banana-a-linda-gerente-conto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/ivana-banana-a-linda-gerente-conto\/","title":{"rendered":"Ivana Banana, a Linda Gerente &#8211; Conto"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"15548\" class=\"elementor elementor-15548\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-75f1a0b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"75f1a0b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-b583103\" data-id=\"b583103\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-969492a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"969492a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4 style=\"text-align: justify;\">Tempo houve em que todos iam ao banco. Pagar contas, depositar ou sacar dinheiro, cheques, consultar extrato, etc. Ali\u00e1s, ia-se demasiado ao banco. Os bacanas, \u00e9 certo e \u00e9 igualmente \u00f3bvio, iam menos, pois naqueles tempos &#8211; pr\u00e9-internet &#8211; havia a profiss\u00e3o de office boy, cujo mister central era justamente o de frequentar as filas das casas banc\u00e1rias.<\/h4><h4>Nessa \u00e9poca do encontro com IVANA, a ROL\u00c9ZIO ADVOGADOS j\u00e1 era meio pr\u00f3spera, tinha boy pr\u00f3prio, mas mesmo assim, vez ou outra havia o pr\u00f3prio Dr. ROL\u00c9ZIO, titular da banca, de se dignar a ir ao banco para fazer transa\u00e7\u00f5es. \u00c9 claro que nutrir boas rela\u00e7\u00f5es com gerente de contas das casas banc\u00e1rias sempre foi de prud\u00eancia basilar: podia-se evitar as pestilentas filas de centenas de metros para resolver as coisas na mesa dele.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Quanta ajuda era isso!<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 na Pra\u00e7a da Liberdade, no centro velho de S\u00e3o Paulo, reduto dos sanseis, dos nisseis e mesmo da japonesada original das antigas, pr\u00f3ximo \u00e0 Igreja das Almas, a \u00fanica com est\u00e1tuas de santos negros na cidade, pr\u00f3ximo tamb\u00e9m das bancas de caldo de cana. Lugar cuja fei\u00fara n\u00e3o \u00e9 muito percebida porque \u00e9 meio ex\u00f3tico, eis que exsurgia o Banco da Planta, aquele de fachada laranja. A ROL\u00c9ZIO ADVOGADOS tinha conta l\u00e1.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era desej\u00e1vel que assim fosse, mas tamb\u00e9m estava longe da raridade que assim era, que o ROL\u00c9ZIO trocasse entreveros com os banc\u00e1rios. A rigor, o ROL\u00c9ZIO j\u00e1 tinha em mente sua miss\u00e3o de reescrever o dicion\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa e, ao verbete \u201cbanc\u00e1rio\u201d, ele, \u00e9 verdade, reservara uma defini\u00e7\u00e3o pouco elogiosa, por\u00e9m \u201cverdadeira\u201d.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">\u00c0 trama dos fatos, contudo!<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">A gerente da conta da ROL\u00c9ZIO ADVOGADOS, no Banco da Planta, era a IVANA j\u00e1 h\u00e1 alguns meses. Ela n\u00e3o era um canh\u00e3o de luz em conhecimentos da profiss\u00e3o e nem tinha posse das melhores articula\u00e7\u00f5es l\u00f3gico-verbais, mas estava longe de dubiedade, qualitativamente acima de tantos antecessores e antecessoras com que o ROL\u00c9ZIO travara conhecimento sem prazer algum.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">De qualquer forma, e, talvez, se fosse motivo para eclipsar o julgamento perfeito do ROL\u00c9ZIO sobre a IVANA, ela era simplesmente L.I.N.D.A. Era um conjunto dessas belezas que o imagin\u00e1rio masculino recorrentemente constr\u00f3i e que provocam um baita SUSTO, com direito a frio na barriga, a quem, de repente, se depara com a imagina\u00e7\u00e3o tornada realidade concreta.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Estava a IVANA, no pin\u00e1culo da floresc\u00eancia feminina, aos 34 anos muito bem maturada. Cabelos ruivos cacheados e soltos, c\u00fatis sedosa, olhar faiscante, gestual magnificente, timbre macio de voz, balanceamento corporal salom\u00f4nico, enfim, os predicados materiais n\u00e3o lhe eram escassos.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">O ROL\u00c9ZIO travava boas rela\u00e7\u00f5es com a provocante gerente, inclusive, com ela, falava sempre em voz baixa. Em todo encontro, antes dos assuntos banais-operacionais da praxe banc\u00e1ria, era de rigor, \u00f3bvio, o passeio incursivo nas amenidades dos giros v\u00e3os e que comp\u00f5em os protocolos dos papos pseudo s\u00e9rios.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">O sinal cabal de bem-querer-efetivo, nessa rela\u00e7\u00e3o gerente-cliente, era que a IVANA dispensava o Dr. ROL\u00c9ZIO das pestilentas filas dos caixas. Bastava-lhe ir \u00e0 mesa dela, deixar os documentos das transa\u00e7\u00f5es e voltar no dia seguinte e&#8230; \u201cbingo!\u201d, estava tudo feito. Para as coisas excessivamente simples, o fluxo at\u00e9 que ia bem!<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Pois bem. Certa feita, o ROL\u00c9ZIO sabia de antem\u00e3o que receberia uma ordem de pagamento do exterior numa dada quarta-feira. Dinheiro esse expressivo e cujo levantamento <em>incontinenti<\/em> era muito necess\u00e1rio para o escrit\u00f3rio seguir seu destino em outra opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 articulada. Sucede que, o ROL\u00c9ZIO tinha um compromisso judicial inadi\u00e1vel e inafast\u00e1vel em Curitiba, justo na dita quarta-feira, e n\u00e3o poderia assinar o necess\u00e1rio contrato de c\u00e2mbio do dinheiro.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">A solu\u00e7\u00e3o foi, na segunda feira, achegar-se \u00e0 simp\u00e1tica mesa da IVANA e perguntar-lhe o \u00f3bvio, logo ap\u00f3s a sess\u00e3o dos gracejos protocolares:<\/h4><h4>&#8211; IVANA, vai chegar uma ordem de fora na quarta-feira, mas eu vou estar em viagem. Vim saber se posso assinar o contrato de c\u00e2mbio por meio de um procurador. Voc\u00ea sabe me dizer ?<\/h4><h4>&#8211; ROL\u00c9ZIO, n\u00e3o tem porque n\u00e3o poder, mas se o senhor quiser, posso consultar o nosso departamento jur\u00eddico.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">E a IVANA foi \u00e0s depend\u00eancias internas do Banco da Planta, voltando com um papel impresso com timbre da institui\u00e7\u00e3o e asseverando:<\/h4><h4>&#8211; ROL\u00c9ZIO, falei com o jur\u00eddico e temos um modelo pr\u00f3prio de procura\u00e7\u00e3o para esse fim. \u00c9 necess\u00e1rio que o senhor siga o padr\u00e3o desse modelo e tudo estar\u00e1 certo para a opera\u00e7\u00e3o. Mas, se atente que senhor vai precisar tamb\u00e9m reconhecer firma em cart\u00f3rio.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Terminaram a conversa, o ROL\u00c9ZIO e a gerente IVANA, pelos tr\u00e2nsitos nas amenidades de estilo.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Na ter\u00e7a feira, foi dia de ir ao Cart\u00f3rio reconhecer a firma da procura\u00e7\u00e3o, inclusive com o zelo de o fazer \u201cpor autenticidade\u201d, em um esfor\u00e7o para n\u00e3o dar nenhum xabu no dia seguinte. Fez o ROL\u00c9ZIO a procura\u00e7\u00e3o em 2 vias, tirou c\u00f3pia de todos os documentos pessoais e dos documentos relacionados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, entregando ao procurador eleito um envelope ordenado acompanhado de um tutorial \u201credondo\u201d contra erros, tudo para o tr\u00e2mite n\u00e3o deixar de fluir.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Na 4\u00aa feira, quando o horizonte visual do ROL\u00c9ZIO j\u00e1 se cercava de arauc\u00e1rias, o maldito celular toca. A chamada era do MAUR\u00c3O, o procurador do ROL\u00c9ZIO:<\/h4><h4>&#8211; \u00d4 ROL\u00c9ZIO, tudo bom? A rola t\u00e1 pegando aqui, meu caro. Chegou a ordem de pagamento no banco sim, mas n\u00e3o d\u00e1 para fazer por procura\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea precisa vir pessoalmente.<\/h4><h4>&#8211; N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, MAUR\u00c3O. Eu estive a\u00ed e arrumei tudo. Faz assim, procura a IVANA, pois foi com ela que eu tratei tudo. Resolve essa merda, cara!<\/h4><h4>&#8211; Mas \u00e9 com ela mesma que eu estou falando. Ela est\u00e1 aqui na minha frente e ela n\u00e3o autoriza fazer o levantamento por procura\u00e7\u00e3o.<\/h4><h4>&#8211; Deixa eu falar com ela, MAUR\u00c3O.<\/h4><h4>&#8211; Oi, Dr. ROL\u00c9ZIO, \u00e9 a IVANA. Estou com o seu procurador, mas n\u00e3o d\u00e1 para assinar o contrato de c\u00e2mbio s\u00f3 com ele aqui. O senhor n\u00e3o entendeu o que eu lhe expliquei. D\u00e1 sim para fazer o contrato de c\u00e2mbio por meio de procura\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o senhor precisa vir junto para assinar com ele o contrato.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Naquele momento, e sabe-se l\u00e1 se para o bem ou para mal, o fato \u00e9 que ao ROL\u00c9ZIO n\u00e3o faltou a presen\u00e7a de esp\u00edrito, pr\u00f3prio dos guerreiros. Afinal de contas, era uma situa\u00e7\u00e3o de confronto combativo entre o m\u00ednimo da raz\u00e3o e a bestialidade desenfreada. Pela primeira vez, o ROL\u00c9ZIO subiu o timbre com a bela gerente:<\/h4><h4>&#8211; O que, IVANA!? Voc\u00ea est\u00e1 me dizendo que eu preciso ir junto com o meu procurador para assinar o contrato a\u00ed no banco?!<\/h4><h4>&#8211; \u00c9 isso sim, Dr. ROL\u00c9ZIO. S\u00e3o regras do banco.<\/h4><h4>&#8211; Deixa eu te contar uma coisa, IVANA: tu \u00e9s muito bonita e muito gostosa, t\u00e1 bom? Mas, voc\u00ea deve usar isso tudo para depois das 6 da tarde, agora n\u00e3o. Inclusive, \u00e9 bastante importante voc\u00ea ver se tu tens voca\u00e7\u00e3o para as profiss\u00f5es que trabalham antes das 6, porque elas pedem compet\u00eancia e n\u00e3o corpinho bonito.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Houve uma suspens\u00e3o no fluir da dial\u00e9tica. IVANA se calou, sendo aud\u00edvel no celular apenas uma inspira\u00e7\u00e3o mais for\u00e7ada e que durou alguns segundos antes da retomada da soltura de timbres vocais.<\/h4><h4>&#8211; ROL\u00c9ZIO, o senhor n\u00e3o est\u00e1 entendendo. O senhor precisa vir junto com o procurador para assinar o contrato, sen\u00e3o n\u00e3o tem jeito. O senhor precisa entender isso.<\/h4><h4>&#8211; IVANA &#8211; e seguia o ROL\u00c9ZIO em tom avolumado &#8211; ent\u00e3o voc\u00ea me escreve, p\u00f5e tudinho em papel passado e assinado por voc\u00ea, gerente do Banco da Planta, que eu posso mandar um procurador para assinar um contrato a\u00ed nesse banco mas desde que eu v\u00e1 junto!!! Escreve isso a\u00ed que eu vou publicar em um jornal essa p\u00e9rola. Se voc\u00ea acha que n\u00e3o existe pessoa inteligente no mundo, o problema \u00e9 teu e s\u00f3 teu. E se voc\u00ea n\u00e3o sabe fazer o trabalho, passa para quem sabe, mas n\u00e3o venha me desrespeitar com a tua INCOMPET\u00ca\u00ca\u00ca\u00ca\u00ca\u00caNCIA!<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">A IVANA se calou e p\u00f4s o gancho do telefone de forma brusca sobre a mesa. Veio a contar o procurador mais tarde que ela passou a olhar ao horizonte, ficando com a tez mais clara-p\u00e1lida.<\/h4><h4>&#8211; Ele est\u00e1 bem zangado &#8211; disse IVANA ao MAUR\u00c3O, de forma g\u00e9lida-evasiva.<\/h4><h4>&#8211; Ele est\u00e1 sossegad\u00edssimo, pode ter certeza disso &#8211; replicou o MAUR\u00c3O, com uma pitadinha de deboche contra a bonitinha, mas ordin\u00e1ria gerente.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">A IVANA desligou o telefone, poupando o ROL\u00c9ZIO de um sequer tchau ou outro besteirol qualquer, s\u00f3 n\u00e3o ficando o ROL\u00c9ZIO em plena solid\u00e3o porque presentes estavam tremores de irrita\u00e7\u00e3o ante os fatos confirmat\u00f3rios da degrada\u00e7\u00e3o humana.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Contou o MAUR\u00c3O, em momento posterior que ela, ap\u00f3s retornar o gancho do fone \u00e0 base, se levantou com olhar fixo no horizonte e moveu-se num caminhar militaresco at\u00e9 as depend\u00eancias internas, de onde voltou meia hora depois com o papel, carimbado por algum superior, de aprova\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o a ser firmada apenas pelo procurador, sem que o mandante do procurador estivesse presente!<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi, contudo, o parto de uma nova fase de ascenso cognitivo para a bela gerente a descoberta de que se um ato se faz por procurador \u00e9 justa e exatamente para que o mandante n\u00e3o tenha que comparecer ao ato. Afinal, qualquer parto implica express\u00e3o de vitalidade e a nossa gerente, fofocou o MAUR\u00c3O, estava com ares cadav\u00e9ricos corruptores da beleza pl\u00e1stica do entorno.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">A IVANA mostrou com o dedo ao MAUR\u00c3O onde ele assinaria, o que ele fez, tendo ela lhe dado sua via e se limitado a dizer, em som destimbrado e pr\u00f3prio de seres de lata:<\/h4><h4>&#8211; O dinheiro j\u00e1 ir\u00e1 para a conta. Boa tarde.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">MAUR\u00c3O saiu do banco e chamou o ROL\u00c9ZIO sob um terremoto de risos. Contou tudo o que se passou e o ROL\u00c9ZIO decresceu em grau de irrita\u00e7\u00e3o.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Passados poucos dias, volta o ROL\u00c9ZIO ao Banco da Planta por assuntos outros e tamb\u00e9m para tratar com a pedagogia dos olhos com a bela gerente sobre o que \u00e9 uma procura\u00e7\u00e3o, pois, afinal de contas, a ignor\u00e2ncia nua bruta pode recair sobre qualquer um.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">A IVANA n\u00e3o lhe olhou nos olhos, coisa que, efetivamente, incomodava o ROL\u00c9ZIO, intolerante-mor com os fugitivos de presen\u00e7a. O \u00e1pice da mol\u00e9stia audaz contra o ROL\u00c9ZIO se deu com o dar de ombros da bela gerente ao pedido que ROL\u00c9ZIO lhe fizera para n\u00e3o ter que pegar taxi para ir at\u00e9 o fim da fila do caixa!<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\"><em> Isso \u00e9 demais! Mais um deboche contra mim, igual ou pior que me tratarem como imbecil ao recusar o meu procurador sem a minha presen\u00e7a<\/em> &#8211; pensava o pr\u00f3prio ROL\u00c9ZIO consigo.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Pois bem, o assunto n\u00e3o iria parar nisso. O ROL\u00c9ZIO ent\u00e3o, depois de horas de trabalho jogadas no lixo por conta da espera na fila do banco, voltou ao escrit\u00f3rio e dignou-se a escrever uma carta, n\u00e3o sem \u201cpitadas de veneno\u201d, ao OMBUDSMAN do Banco da Planta relatando, detalhe por detalhe, o ESC\u00c2NDALO de que um gerente banc\u00e1rio, devidamente identificado, daquele ilustre banco, informara ao denunciante que os \u201catos que podem ser feitos por procurador devem ter a presen\u00e7a do mandante no pr\u00f3prio ato\u201d.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o eram tempos de e-mail. A carta-den\u00fancia do esc\u00e2ndalo houve de ser protocolada <em>in loco<\/em>, na sede central do banco, dilig\u00eancia de que o ROL\u00c9ZIO n\u00e3o se furtou.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Dias passaram e eis que chega, \u00e0 mesa do ROL\u00c9ZIO, a resposta do ilustrado OMBUDSMAN do Banco da Planta. O envelope era bonito, o papel era precioso. O conte\u00fado da missiva era rico em cortesias, mas a sem\u00e2ntica foi tal que, o banco, informava que tinha a lamentar que houve frustra\u00e7\u00e3o quanto ao epis\u00f3dio, mas que era um banco muito zeloso, todos os cuidados eram muito necess\u00e1rios e, inclusive, para a melhor seguran\u00e7a do cliente. Dizia ainda a missiva que o banco se sentia muito feliz e prestigiado com a sua elei\u00e7\u00e3o para acolher a conta da ROL\u00c9ZIO ADVOGADOS.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">Veio junto ao envelope um calend\u00e1rio de mesa como cortesia do banco para a ROL\u00c9ZIO ADVOGADOS, com o intuito de compensar um pouco das frustra\u00e7\u00f5es.<\/h4><h4 style=\"text-align: justify;\">&#8211; S\u00e3o IMBECIIIIIIIIIIS absolutos, bradou o ROL\u00c9ZIO. Para as paredes.<\/h4><p>S\u00e3o Paulo, 11\/08\/18. O Autor<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo houve em que todos iam ao banco. Pagar contas, depositar ou sacar dinheiro, cheques, consultar extrato, etc. Ali\u00e1s, ia-se demasiado ao banco. 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