{"id":15526,"date":"2018-05-19T22:34:43","date_gmt":"2018-05-20T01:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?p=15526"},"modified":"2020-09-05T22:53:52","modified_gmt":"2020-09-06T01:53:52","slug":"lourdinha-e-seu-atestado-conto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/lourdinha-e-seu-atestado-conto\/","title":{"rendered":"Lourdinha e seu Atestado &#8211; Conto"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"15526\" class=\"elementor elementor-15526\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-83c7908 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"83c7908\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-107e308\" data-id=\"107e308\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-50277b8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"50277b8\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4>N\u00e3o seriam 09h05 de mais um dia \u00fatil. Soou estridente o telefone na sala do Dr. Rol\u00e9zio, advogado ainda na verdura da profiss\u00e3o e que, com muita firmeza, tem seu escrit\u00f3rio no bairro dos japoneses em S\u00e3o Paulo, num \u201cpr\u00e9dio misto\u201d.<\/h4><h4>Faz tempo. Era uma \u00e9poca em que, inclusive, revestimento de papel de parede era bonito e ainda fazia contraste com um carpete marrom. Tudo era \u201capastelado\u201d naquele escrit\u00f3rio, numa altura em que o bolso do dono era furado e o gosto n\u00e3o era refinado.<\/h4><h4>O escrit\u00f3rio era micro. Consistia no pr\u00f3prio Dr. Rol\u00e9zio, a Lourdinha da recep\u00e7\u00e3o, o Jorge, que era office boy e a Helena, estagi\u00e1ria de \u201cmeio-per\u00edodo\u201d. O Rol\u00e9zio era o \u00fanico \u201cdono\u201d do brinquedo. At\u00e9 poucos meses tivera dois s\u00f3cios, naquelas sociedades em que \u201cmais se aprende que ganha\u201d, mas o Rol\u00e9zio tanto ganhou quanto aprendeu igualmente pouco, pois, \u00e0 despeito das coisas \u00f3bvias nas suas rela\u00e7\u00f5es com os ex-s\u00f3cios, n\u00e3o conseguia sequer vislumbrar que eles padeciam do maior falso motor regente das gentes neste mundo, que se chama MEDO.<\/h4><h4>Falso motor porque ele n\u00e3o provoca movimento propriamente, sen\u00e3o na modalidade de movimento de fuga. Depois que se entende isso, \u00e9 f\u00e1cil driblar o mundo das gentes. Antes, contudo, se perde valioso tempo e energia achando que as gentes s\u00e3o gentes ao inv\u00e9s de farsantes de suas alminhas rasas e fugitivos incans\u00e1veis dos ecos das pr\u00f3prias entranhas.<\/h4><h4>O Rol\u00e9zio e os dois s\u00f3cios eram rec\u00e9m-formados. Apesar de s\u00f3 ter gente verde junta, a floresta cedeu espa\u00e7o a flores, pois no parco de um ano e meio a micro banca encheu de clientes, indo na contram\u00e3o do que sucede \u00e0s bancas dos rec\u00e9m-graduados.<\/h4><h4>Era MUITO trabalho. Claro que um advogado macaco-velho tiraria de letra aquele volume de trabalho, mas os tr\u00eas pivetes n\u00e3o. Faltava, obviamente, destreza t\u00e9cnica, mas a car\u00eancia funda mesmo era de fortaleza e alguma mal\u00edcia.<\/h4><h4>Ali\u00e1s, o que um advogado macaco velho traz de bom \u00e9 conhecer o MEDO, o pr\u00f3prio, o dos clientes, o do advers\u00e1rio, do juiz, dos funcion\u00e1rios, etc. Se n\u00e3o dominou esse gato vestido de on\u00e7a negra, n\u00e3o se avan\u00e7a. N\u00e3o s\u00f3 na advocacia, mas em tudo o mais.<\/h4><h4>O fato \u00e9 que, guardadas as propor\u00e7\u00f5es de gente pobre e mesmo escassez objetiva de dinheiro, o neg\u00f3cio bombava e, por paradoxal que seja na apar\u00eancia, o MEDO, dos s\u00f3cios do Rol\u00e9zio, crescia mais e mais. Era daquelas coisas meio rodrigueana de que: \u201cvai dar errado porque deu certo\u201d. Medo de conseguir fazer o trabalho, medo de que o cliente n\u00e3o gostasse de algo, medo do advogado adverso, medo de que algu\u00e9m vai criticar o trabalho, medo de ficar at\u00e9 meia noite no trabalho, medo do bicho-pap\u00e3o, medo do fantasma da \u00f3pera, medo do ET de Varginha, etc. Medo que n\u00e3o tem fim. Afinal, poucas coisas s\u00e3o t\u00e3o leais \u00e0 lei da in\u00e9rcia de acelera\u00e7\u00e3o crescente quanto o medo.<\/h4><h4>Obviamente, a corda rompeu. O Rol\u00e9zio n\u00e3o segurava ser o \u00fanico a pular de alegria sobre a mesa pela not\u00edcia de um novo cliente ou neg\u00f3cio e ver os s\u00f3cios se escondendo sob a mesma mesa. Naquela altura, j\u00e1 estava sendo forjado \u00e0 uma amizade que lhe seguia havia tempo: a solid\u00e3o. Essa amizade se iniciou nos encontros noturnos, nas madrugada, aos s\u00e1bados e aos domingos.<\/h4><h4>Mesmo depois de tantas e tantas discuss\u00f5es, at\u00e9 acaloradas, o Rol\u00e9zio, j\u00e1 chegado naquele misto de maldi\u00e7\u00e3o e bondade de abstrair o humano, n\u00e3o via as coisas do medo eruptivo.<\/h4><h4>Tinha uma coisa curiosa com os s\u00f3cios: eles eram amigos em grau fundo dos funcion\u00e1rios, os pr\u00e9-falados Lourdinha da recep\u00e7\u00e3o, o Jorge, que era office boy e a Helena, estagi\u00e1ria de \u201cmeio-per\u00edodo\u201d. Almo\u00e7avam juntos, normalmente sem o Rol\u00e9zio, pois este ficava trabalhando nas peti\u00e7\u00f5es para aproveitar a \u201cvaliosa hora do sil\u00eancio\u201d pela falta de gente. Batiam papo, iam a baladas no fim de semana, tamb\u00e9m sem a presen\u00e7a do Rol\u00e9zio e pelos mesmos motivos pr\u00e9-falados.<\/h4><h4>Claro que os funcion\u00e1rios cumprimentavam o Rol\u00e9zio, mas era daqueles cumprimentos do script. Tudo e qualquer coisa que tinham a tratar eram com os s\u00f3cios. N\u00e3o tardou a hora em que a corda fina, quanto um fio de cabelo, da sociedade se rompeu. Foram-se os s\u00f3cios. Ficou o Rol\u00e9zio, a clientela toda, os funcion\u00e1rios, as responsabilidades por x, y, z e as contas de um neg\u00f3cio que ainda tinha que plantar e colher todo m\u00eas o suficiente para dar de comer no mesmo m\u00eas.<\/h4><h4>O trabalho j\u00e1 era duro e tinha tudo para ser, n\u00e3o s\u00f3 mais duro, mas imposs\u00edvel. Por\u00e9m, por motivos que, s\u00f3 fora das apar\u00eancias de superf\u00edcie se entende, foi bem poss\u00edvel e at\u00e9 mais f\u00e1cil. Diminua o n\u00famero de medrosos do entorno e&#8230; M\u00c1GICA! As coisas fluem melhor!<\/h4><h4>Mas, se at\u00e9 os s\u00f3cios tinham-se ido por conta de MEDO (que s\u00f3 o Rol\u00e9zio n\u00e3o entendia) o que dizer, pois, dos esqu\u00e1lidos funcion\u00e1rios, cujas almas eram amedrontadas at\u00e9 por uma sombra de camundongo! Eles se sentiram partilhantes das dores fundas dos \u00d3RF\u00c3OS, sem pai nem m\u00e3e agora e face ao Rol\u00e9zio, o \u201chomi\u201d, segundo o l\u00e9xico de refer\u00eancia que eles usavam.<\/h4><h4>Voltemos ao in\u00edcio para \u00e0s 09h05, hor\u00e1rio tal em que algo molestou a concentra\u00e7\u00e3o do estressado, tenso e exausto Rol\u00e9zio. O simples tocar do fone j\u00e1 irrita, e muito mais na medida em que, pela hora, ficava claro que a Srta. Lourdes n\u00e3o chegara.<\/h4><h4><em>&#8211; Rol\u00e9zio Advogados, bom dia!<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Oi Dr. Rol\u00e9zio. \u00c9 a Lourdes. Liguei para dizer que n\u00e3o vou trabalhar hoje. Estou aqui no Pronto Socorro de Pirituba com a minha m\u00e3e. Eu n\u00e3o passei bem \u00e0 noite.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Puxa, Lourdes. \u00c9 coisa grave?<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; N\u00e3o. Eu acho que hoje eu j\u00e1 resolvo e devo voltar para o escrit\u00f3rio amanh\u00e3.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; T\u00e1, Ok. Te cuida a\u00ed e me avisa se precisar de alguma coisa.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; T\u00e1 bom. Tchau.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Tchau.<\/em><\/h4><h4>Obviamente, o fluxo da vida do escrit\u00f3rio houve de seguir sem a Lourdinha. Em um el\u00e1stico j\u00e1 esticado, s\u00e3o alguns mil\u00edmetros que podem fazer o estrago. Rearranja-se o trabalho, rev\u00ea-se os afazeres do office boy, liga para a estagi\u00e1ria, etc. Mas, a tormenta maior dos j\u00e1 estressados \u00e9 a p&#8230;. do telefone bradando trim, o que ficou constante ao longo do dia, estilha\u00e7ando qualquer pretens\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o s\u00e9ria do Rol\u00e9zio. As intermit\u00eancias no pensar imprimem desesperador senso de impot\u00eancia.<\/h4><h4>Mas o dia passou sem a querida Lourdinha. O Dr. Rol\u00e9zio tinha sincero apre\u00e7o por ela sim. Ao cabo do dia, pensou mais de uma vez se ela estaria bem. Sentido puramente desinteressado mesmo. Ele acreditava nela. Ali\u00e1s, ele ainda estava na fase de acreditar nas gentes, era plenamente convencido de que as gentes que n\u00e3o desabrocham ao sucesso n\u00e3o o fazem pelas circunst\u00e2ncias opressoras externas.<\/h4><h4>A Lourdinha era menina pura, de 19 anos. Bonita. Veio para a entrevista de emprego acompanhada da m\u00e3e, que queria ver \u201cse o lugar era bom para a filhinha\u201d. Primeiro emprego. Um salto para quem vinha da periferia funda paulistana. A mesa de trabalho dela tinha copo para os l\u00e1pis e canetas, de cor em formato da cara do frajola. As borrachas ficavam ordenadas por tamanho. Um elogio, um sonho de valsa sobre a mesa dela, dava-lhe igni\u00e7\u00e3o na motiva\u00e7\u00e3o em atender o Dr. Rol\u00e9zio, desde que, claro, a tarefa n\u00e3o invocasse coisa abstrata ou aloca\u00e7\u00e3o de ex\u00e9rcitos de neur\u00f4nios.<\/h4><h4>De qualquer forma, era mo\u00e7a direita e que o Dr. Rol\u00e9zio ainda acreditava poder conduzir ao crescimento. Curso de digita\u00e7\u00e3o, de atendimento e outros j\u00e1 lhe tinham sido providos e com alegria.<\/h4><h4>No dia seguinte, estava o Rol\u00e9zio absorto na reda\u00e7\u00e3o de alguma peti\u00e7\u00e3o, distante anos luz de qualquer mem\u00f3ria sobre a ida da Lourdinha ao doutor, quando a pr\u00f3pria, \u00e0s 09h00 exata, bate-lhe na porta.<\/h4><h4><em>&#8211; Bom dia, Dr. Rol\u00e9zio &#8211; disse-lhe ela.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Bom dia. Estou bem ocupado agora. \u00c9 algo urgente?<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Sim, eu trouxe para o senhor o meu atestado m\u00e9dico de ontem. Est\u00e1 aqui no envelope.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Ah, \u00e9. Voc\u00ea est\u00e1 bem?<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Sim, tou bem melhor agora.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Que bom. Eu n\u00e3o preciso do atestado. Vai l\u00e1 para tua sala que eu estou bem ocupado.<\/em><\/h4><h4>E a mo\u00e7a, com algum n\u00edtido constrangimento, foi-se \u00e0 sua sala.<\/h4><h4>Horas adiante, quando o Rol\u00e9zio voltava \u00e0 sua sala, ap\u00f3s alguma aus\u00eancia qualquer, depara-se com o atestado m\u00e9dico da Lourdinha sobre sua mesa. Chama-a.<\/h4><h4><em>&#8211; Lourdinha, eu n\u00e3o preciso deste atestado. Toma de volta.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; \u00c9 verdade sim que eu fui ao m\u00e9dico, Dr. Rol\u00e9zio! Est\u00e1 aqui, o senhor pode ver. Eu trouxe tamb\u00e9m a receita dos rem\u00e9dios.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Eu sei que \u00e9 verdade, mas eu n\u00e3o preciso disso. S\u00f3 preciso que voc\u00ea me conte que foi ao m\u00e9dico e est\u00e1 resolvido! <\/em><\/h4><h4>Ela saiu da sala e deixou o atestado sobre a mesa. Como o Rol\u00e9zio tende a abstrair as coisas das gentes, pegou o atestado, p\u00f4s no lixo e seguiu a vida, envolvido com algum trabalho.<\/h4><h4>No outro dia, o Rol\u00e9zio chegou mais tarde e depara-se sobre sua mesa com, novamente, o atestado da v\u00e9spera que fora recuperado da lata do lixo pela Lourdinha. E, ainda, com mais um papel datilografado com o nome do hospital, seu telefone e o nome de um funcion\u00e1rio de l\u00e1, para que o Dr. Rol\u00e9zio ligasse para checar a veracidade do t\u00e3o valioso documento.<\/h4><h4><em>&#8211; Lourdes, eu n\u00e3o preciso de nada disso. Voc\u00ea ainda est\u00e1 nesse assunto? Preciso trabalhar agora.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; \u00c9 verdade sim. Na outra vez que eu fui ao hospital, a Dra. Julia (a ex-s\u00f3cia), falou que sempre tenho que trazer o atestado para provar. Eu fui porque fiquei doente. Juro para o senhor. Se quiser chama at\u00e9 a minha m\u00e3e que o senhor conhece.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; Lourdes, a Julia \u00e9 a Julia, eu sou eu. Voc\u00ea me disse que foi ao m\u00e9dico e est\u00e1 ok, ponto final. N\u00e3o fico olhando documento disso. Se eu n\u00e3o confiar na tua palavra, n\u00e3o vai ter papel que vai servir para nada. Eu n\u00e3o vou ler esse atestado e nem ligar para ningu\u00e9m. Eu e voc\u00ea precisamos trabalhar e nada mais.<\/em><\/h4><h4><em>&#8211; O senhor n\u00e3o pode ficar desconfiando de mim. \u00c9 verdade sim. Eu fui ao hospital. Pode ver, pode ligar para l\u00e1. Joooorge &#8211; <\/em>berrou a Lourdes &#8211;<em> vem c\u00e1! <\/em><\/h4><h4>O Jorge entrou e ela seguiu:<\/h4><h4><em>&#8211; o Dr. Rol\u00e9zio n\u00e3o acredita em mim, ele acha que meus documentos s\u00e3o falsos. Conta para ele.<\/em><\/h4><h4>O Rol\u00e9zio tomou a palavra:<\/h4><h4><em>&#8211; Lourdes, voc\u00ea \u00e9 IMBECIL? Eu estou falando que n\u00e3o quero ver o documento porque confio em voc\u00ea e voc\u00ea fica falando que eu acho que teu documento \u00e9 falso? Desculpe, mas voc\u00ea n\u00e3o tem nada na cabe\u00e7a.<\/em><\/h4><h4>A menina-mo\u00e7a saiu, trancou-se no banheiro por pelo menos 30 minutos e abriu as portas da represa do choro com direito a solu\u00e7os de mais de 100 decib\u00e9is. Saiu de l\u00e1 com o rosto rubro-p\u00e1lido meio refeito depois da crise. Mas, como s\u00f3i ao ser feminino, n\u00e3o importando a juventude, empinou o nariz em gesto de esplendor da vaidade, saiu pelo corredor e pegou suas coisas. Ao cabo, disse ao Rol\u00e9zio, que ainda estava estupefato:<\/h4><h4>&#8211;<em> O Senhor devia acreditar no atestado sim! Ele \u00e9 de verdade sim!<\/em><\/h4><h4>Foi-se embora a Lourdinha por MEDO de acreditarem nela.<\/h4><p>S\u00e3o Paulo, 19\/05\/18. O Autor<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o seriam 09h05 de mais um dia \u00fatil. Soou estridente o telefone na sala do Dr. Rol\u00e9zio, advogado ainda na verdura da profiss\u00e3o e que, com muita firmeza, tem seu escrit\u00f3rio no bairro dos japoneses em S\u00e3o Paulo, num \u201cpr\u00e9dio misto\u201d. Faz tempo. 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