{"id":5534,"date":"2019-11-19T12:38:12","date_gmt":"2019-11-19T12:38:12","guid":{"rendered":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?page_id=5534"},"modified":"2020-02-03T18:07:00","modified_gmt":"2020-02-03T18:07:00","slug":"idiotice-e-imbecilidade-discernimentos-necessarios","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/idiotice-e-imbecilidade-discernimentos-necessarios\/","title":{"rendered":"Idiotice e Imbecilidade, discernimentos necess\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/idiota.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5535\" src=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/idiota-300x167.png\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1111\" srcset=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/idiota-300x167.png 300w, https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/idiota-768x427.png 768w, https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/idiota.png 810w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Autor:<\/strong> Vicente do Prado Tolezano<br \/>\n19\/11\/2019<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Idiota e imbecil n\u00e3o s\u00e3o \u201cem si\u201d termos pr\u00f3prios de xingamento, ainda que, no mais das vezes, sejam empregados para afrontar mesmo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os termos denotam debilidades intelectuais graves, sendo o idiota pior que o imbecil, pois mais prim\u00e1ria a faculdade intelectual que ele n\u00e3o elabora, que \u00e9 a de perceber, sem embargo de que a imbecilidade, impossibilidade de interpretar, segue grave.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Reduzamos, em termos assaz largos, a 4 os degraus da intelig\u00eancia, em direta associa\u00e7\u00e3o aos degraus da atividade de leitura: 1) percep\u00e7\u00e3o; 2) compreens\u00e3o; 3) interpreta\u00e7\u00e3o; 4) reten\u00e7\u00e3o\/assimila\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como pular os degraus dessa escada. S\u00f3 se chega ao degrau de cima superando o de baixo. O idiota estacionado no 1\u00ba e o imbecil no 2\u00ba degrau.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O idiota \u00e9 aquele n\u00e3o v\u00ea, no sentido de que ele n\u00e3o percebe a objetividade exterior a ele mesmo, ou a percebe confusamente, com baixa nitidez entre o que seja um percepto ou uma proje\u00e7\u00e3o dele, sen\u00e3o ainda incorrendo em confus\u00f5es entre o que seja apenas um \u201cnome\u201d do que seja \u201ccoisa\u201d, ou do que seja um \u201cfato\u201d daquilo que \u00e9 \u201cde opini\u00e3o\u201d, etc &#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O esquema do idiota, num certo sentido, \u00e9 que o mundo seria ele e ele seria o mundo. A raiz etimol\u00f3gica grega\u00a0\u201cidios\u201d, ali\u00e1s, quer dizer \u201co mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O idiota pode estar diante de uma coisa sem a perceber. Normalmente, h\u00e1 de se lhe falar v\u00e1rias vezes para que ele \u201cperceba\u201d que lhe est\u00e3o falando e ainda mais v\u00e1rias vezes para \u201co que lhe est\u00e3o falando\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A percep\u00e7\u00e3o, vale destacar, \u00e9 a recep\u00e7\u00e3o da realidade, a qual, para ser propriamente \u00a0cumprida h\u00e1 de ser um processo ativo\/atento do recebedor, mas o idiota recebe-a passivamente (muitas vezes disperso) e por isso tantas insist\u00eancias, repeti\u00e7\u00f5es, reitera\u00e7\u00f5es, \u00eanfases, etc &#8230; t\u00eam que lhe ser feitas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outra caracter\u00edstica bem pr\u00f3pria do idiota \u00e9 achar que aquilo que ele n\u00e3o alcan\u00e7a (porque nunca fizera) necessariamente n\u00e3o existe. Os cl\u00e1ssicos j\u00e1 tinham inventariado essa fal\u00e1cia sob o nome de\u00a0<em>argumentum ad ignorantum<\/em>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A estrutura do seu esquema \u00e9 de que a ignor\u00e2ncia sobre algo seria prova de que o algo n\u00e3o \u00e9 ou nem tem como ser o caso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Equivale a mais ou menos jogos assim: \u201c<em>A n\u00e3o faz sentido para mim e, ent\u00e3o, n\u00e3o existe<\/em>\u201d. A prova, afinal, de que o idiota sempre se vale \u00e9 ele mesmo! O inverso tamb\u00e9m ser\u00e1 poss\u00edvel, tal como que a simples proje\u00e7\u00e3o dele garanta o fato. Por exemplo: \u201c<em>Eu me senti ofendido por Fulano, ent\u00e3o ele me ofendeu<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Olavo de Carvalho j\u00e1 asseverou que o idiota \u201c<em>\u00e9 o sujeito que nada enxerga al\u00e9m dele mesmo, que julga tudo pela sua pr\u00f3pria pequenez<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao cabo sobre o idiota, a linguagem n\u00e3o lhe pode ter car\u00e1ter de representa\u00e7\u00e3o da realidade, mas de mero influenciador de emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O imbecil, a sua vez, j\u00e1 subiu o degrau da percep\u00e7\u00e3o, pois ele percebe a alteridade, mas capta-a em n\u00edveis de superf\u00edcie. Tem inseguran\u00e7a para penetrar mais fundo que a camada das apar\u00eancias, o que lhe exigiria interpretar sentidos, mas ele se \u201cpela\u201d disso, raz\u00e3o porque fica estacionado no degrau da compreens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vamos a um exemplo que elucida o imbecil e em cotejamento com o idiota: o cliente pede a um chapeiro para fazer um XBurger mas com uma bola de sorvete de morango em cima.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se o chapeiro for idiota, ele provavelmente n\u00e3o far\u00e1 nada, pois n\u00e3o lhe faz sentido o pedido (j\u00e1 que seguramente nunca fizera isso e tal que isso nem existiria no mundo &#8230;) e tender\u00e1 a permanecer ap\u00e1tico\/inerme ou at\u00e9 assustado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se for imbecil, tender\u00e1 a cumprir o pedido, pois, \u201cna literalidade\u201d ele entendeu o pedido, pouco importando que o pedido \u00e9 manifestamente absurdo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A etimologia latina de imbecil vem de \u201csem bast\u00e3o\u201d, como a denotar quem at\u00e9 entende algo, mas \u00e9 fraco, desapoiado, n\u00e3o sabe mediar com as coisas, n\u00e3o fica de p\u00e9 por si, \u00e9 servil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma pessoa razoavelmente inteligente, que j\u00e1 est\u00e1 no degrau 3, ou seja, que interpreta, teria 3 (sen\u00e3o v\u00e1rias mais) op\u00e7\u00f5es interpretativas claras diante do pedido esdr\u00faxulo: 1) \u00e9 uma ironia; 2) \u00e9 um desrespeito ao pr\u00f3prio chapeiro; 3) \u00e9 uma pessoa exc\u00eantrica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma pessoa razoavelmente inteligente at\u00e9 eventualmente cumpriria o pedido, mas por um ato ativo de interpretar excentricidade do cliente, e n\u00e3o porque a \u201cliteralidade\u201d da express\u00e3o valesse \u201cpor si\u201d. Se interpretasse pela ironia, poderia dar uma boa gargalhada. Se pela ofensa, iria recusar o atendimento e de forma seca.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0O imbecil morre e mata pela literalidade. Afinal, ele n\u00e3o \u00e9 \u201cpor si\u201d, ele n\u00e3o interpreta porque interpretar exige decidir, caso em que ele passaria a ser por si. O seu esquema de debilidade consiste em submeter todo o \u201ceu\u201d dele na ordem, no comando, na instru\u00e7\u00e3o num esquema de depend\u00eancia quase vital. N\u00e3o raro, o imbecil assume ares circunspectos de sisudez orgulhosa de seu rigor para com a literalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dever\u00e1 haver muitos leitores chocados j\u00e1 com a poss\u00edvel constata\u00e7\u00e3o de quantos idiotas e imbecis est\u00e3o a seu redor. \u201c<em>Eles s\u00e3o muitos<\/em>\u201d, dizia o Nelson Rodrigues, o qual tinha discernimento fino sobre o sentido efetivo das palavras.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Noutro artigo, detalharemos os degraus 3 e 4, respectivamente dos inteligentes e dos proficientes<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">Voc\u00ea quer se manter informado com as novidades da Casa da Cr\u00edtica e receber nossa newsletter? 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