{"id":234,"date":"2018-05-22T13:20:12","date_gmt":"2018-05-22T13:20:12","guid":{"rendered":"http:\/\/casadacritica.com.br\/site\/?page_id=234"},"modified":"2020-02-03T17:01:11","modified_gmt":"2020-02-03T17:01:11","slug":"o-problema-fundacional-orfandade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/o-problema-fundacional-orfandade\/","title":{"rendered":"O Problema Fundacional \u2013 ORFANDADE"},"content":{"rendered":"<ul id=\"menu-fixo\"><\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/child-thinking.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-6769 size-full\" src=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/child-thinking.jpeg\" alt=\"\" width=\"4288\" height=\"2848\" srcset=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/child-thinking.jpeg 4288w, https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/child-thinking-300x199.jpeg 300w, https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/child-thinking-768x510.jpeg 768w, https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/child-thinking-1024x680.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 4288px) 100vw, 4288px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autor:<\/strong>\u00a0Vicente do Prado Tolezano<br \/>\n<em>12-08-2016<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e3o longe de serem poucos os audit\u00f3rios no Brasil que se ocupam de valsas, n\u00e3o s\u00f3 tolas, mas, mesmo bestiais. Tais como a que canta que \u201csexos, no sentido de masculino e feminino, n\u00e3o existiriam na natureza, mas s\u00e3o ditames puramente sociais\u201d. N\u00e3o s\u00f3 fica apagada a compreens\u00e3o do MAIOR problema humano-social-natural brasileiro como, ali\u00e1s, a pr\u00f3pria sedu\u00e7\u00e3o ao bestial \u00e9 decorr\u00eancia desse grave problema brasileiro, cujo nome \u00e9 ORFANDADE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, n\u00e3o \u00e9 da orfandade mortis causa de que falamos. Essa \u00e9 menos cruel e menos vigente entre n\u00f3s, que somos assolados pela ORFANDADE AFETIVA, praticada por pais (mais estes) e m\u00e3es s\u00f3 \u201cde corpo\u201d, mas \u201cdesalmados\u201d para com a prole. Coloquialmente, se fala dos \u201c\u00f3rf\u00e3os de pais vivos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estou entre os que afirmam que \u00e9 muito, mas muito simples mesmo, BEM EDUCAR qualquer ser humano. Basta-lhe dar PAI e M\u00c3E. Todos os desenvolvimentos depois ser\u00e3o mera consequ\u00eancia natural e espont\u00e2nea, obtidas com o m\u00ednimo de esfor\u00e7o e m\u00e1ximo de prazer. A rec\u00edproca, n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e3o simples quanto t\u00e3o cruel. \u00c9 exatamente do SIMPLES, do NATURAL e do \u00d3BVIO que a maioria das pessoas est\u00e1 privada. A incurs\u00e3o em teoriza\u00e7\u00f5es complexas sobre o simples, como relativiza\u00e7\u00e3o dos sexos, da natureza em geral, da espiritualidade, da sociedade, etc., servem para \u201cdistrair\u201d do problema, mas n\u00e3o para resolv\u00ea-lo. Nada artificial solve a defici\u00eancia natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, s\u00e3o tantas as distra\u00e7\u00f5es, justamente porque n\u00e3o se aguenta a dor do problema. A op\u00e7\u00e3o de \u201cdesconstruir\u201d a masculinidade e a fam\u00edlia \u00e9 movimento, ao cabo, da press\u00e3o da inveja e outros g\u00eaneros de ressentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presumivelmente, este texto ser\u00e1 lido por uma parte bem minorit\u00e1ria do Brasil, a alfabetizada com profici\u00eancia razo\u00e1vel. Pe\u00e7o ao leitor que se pergunte com sinceridade: nos c\u00edrculos sociais ao seu redor, quantas s\u00e3o as pessoas que gozam ou gozaram de RELA\u00c7\u00c3O PATERNA BOA, bem resolvida, edificante e com sincera admira\u00e7\u00e3o pelo seu pai?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aposto as fichas na resposta em que o n\u00famero \u00e9 baixo. Normalmente, o PAI \u00e9 um \u201cconhecido\u201d, no sentido de que se sabe dele, mas sem muita intimidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil profundo, contudo, para multid\u00f5es analfabetas, pseudo e s\u00f3 funcionalmente alfabetizadas, o pai sequer tem status de conhecido, nem sequer pelo nome. N\u00e3o achamos uma estat\u00edstica consolidada nacional fi\u00e1vel sobre o assunto de taxa de certid\u00f5es de nascimento SEM indica\u00e7\u00e3o do nome pai (provavelmente pela pr\u00f3pria crueldade da informa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa literatura, a den\u00fancia desse flagelo j\u00e1 foi dada m\u00faltiplas vezes. A magistral den\u00fancia vem da leitura fina do Grande Sert\u00e3o Veredas, de Guimar\u00e3es Rosa, sendo poss\u00edvel ler que toda a din\u00e2mica do duelo, bem versus mal, \u00e9 acomoda\u00e7\u00e3o de paternidades deficientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dados fragmentados dispon\u00edveis e que outorgam justa ila\u00e7\u00e3o sobre o problema da paternidade: 5,5 milh\u00f5es de alunos da rede p\u00fablica, segundo o CNJ, 7% da popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e 20% da popula\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o e de Goi\u00e2nia! Algumas pastorais e servi\u00e7os sociais religiosos chegam a indicar 1\/3 de seus assistidos que sofrem com esta problem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo caso, \u00e9 uma multid\u00e3o. Se fosse 1 (um caso, e n\u00e3o 1%), seria escandaloso por si. S\u00e3o tantas as aberra\u00e7\u00f5es com que convivemos que, o monstruoso, pode \u201cparecer\u201d normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, nem s\u00f3 de \u201cdar nome no registro\u201d consiste a paternidade. Por igual, nem s\u00f3 de pagar pens\u00e3o, nem s\u00f3 de matricular em escola, nem s\u00f3 de dar presente e etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e3o antigo quanto verdadeiro, que paternidade \u00e9 FUN\u00c7\u00c3O afetiva que molda o ser na sua rela\u00e7\u00e3o para com o mundo, quanto aos LIMITES. D\u00e1-lhe a prote\u00e7\u00e3o dos LIMITES EM QUE DEVE ESTAR CONTIDO e d\u00e1 lhe a for\u00e7a dos LIMITES QUE DEVE ULTRAPASSAR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exercer a paternidade \u00e9 EXIGIR do filho, sua forja afetiva, quanto aos limites. Exig\u00eancia por \u201cencontro de almas\u201d, a \u00fanica que ensina pela educa\u00e7\u00e3o da VONTADE do filho, para QUERER as justas medidas, mais que apenas objetivamente as cumprir. O acatamento, meramente objetivo, pode ser coisa provida por escola. O elemento subjetivo-volitivo \u00e9 coisa de PAI mesmo, \u00fanica e t\u00e3o somente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme o psic\u00f3logo, Alberto Pereira Lima Filho, repisando um saber milenar: \u201ca pior consequ\u00eancia de um sujeito crescer sem esse contorno masculino \u00e9 ele desenvolver a cren\u00e7a de que \u2018querer \u00e9 poder\u2019, e eu n\u00e3o conhe\u00e7o nada mais perigoso neste mundo do que essa ideia\u201d. Uma par\u00e1frase do pr\u00f3prio autor melhor elucida: \u201cFilhos que ficam \u00e0 merc\u00ea de suas vontades e seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios se sentem, ao mesmo tempo, poderosos e perdidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cpoderoso e perdido\u201d, um tipo de \u201cgelo berrando que \u00e9 quente\u201d ou \u201cfogo berrando que \u00e9 frio\u201d, um tipo, ao cabo, de desajuste de amor pr\u00f3prio. Desajustados os afetos, segue desajustada a cogni\u00e7\u00e3o, as atitudes e etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem goza de paternidade e maternidade neste pa\u00eds \u00e9 MILION\u00c1RIO, no melhor sentido do termo, e quem n\u00e3o goza \u00e9 POBRE, no pior sentido do termo. Tornou-se politicamente incorreto afirmar a riqueza do rico e a pobreza do pobre no Brasil. Da mesma forma, tornou-se politicamente correto menosprezar a riqueza e vangloriar a pobreza. Nada mais garantidor da perman\u00eancia e incremento da pobreza!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A supera\u00e7\u00e3o da desgra\u00e7a, de n\u00e3o ter fam\u00edlia funcional, \u00e9 super\u00e1vel com muito esfor\u00e7o individual em atividade reflexiva funda, de matura\u00e7\u00e3o lenta e dolorosa, com avan\u00e7os e retrocessos. Mas, alcan\u00e7\u00e1vel, tanto quanto for realista e honesta a assun\u00e7\u00e3o da car\u00eancia e vontade forte de a superar. Isso \u00e9 ato absolutamente solit\u00e1rio. O entorno social s\u00f3 obsta essa liberta\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, inculca o menosprezo da paternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmo com toda tranquilidade: \u00e9 raro algu\u00e9m receber paternidade plena no Brasil, como \u00e9 muito dif\u00edcil ao pai exercer a paternidade plena por aqui tamb\u00e9m, tema que fica para outros artigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto mais o indiv\u00edduo se permitir o falso atalho das ideologias de plant\u00e3o, de negar beleza ao belo, bondade ao bom e verdade ao verdadeiro, ele nega exatamente a fun\u00e7\u00e3o paternal, que porventura n\u00e3o tenha recebido. Caber-lhe-ia se DAR ent\u00e3o, que \u00e9 a FOR\u00c7A no reconhecimento dos limites, das coisas externas que s\u00e3o como s\u00e3o (paci\u00eancia), e FOR\u00c7A no alargamento dos limites, das coisas interiores que n\u00e3o s\u00e3o como podem ser (laboriosidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao cabo, pois: se fostes \u00f3rf\u00e3o, h\u00e1s de reconhecer isto expressamente e dar a si pr\u00f3prio a modula\u00e7\u00e3o de paternidade. A outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 ficar relativizando se homem, mulher e fam\u00edlia existem na natureza ou s\u00e3o coisas criadas em acidente artificial e esmolar a paternidade junto a ide\u00f3logos de g\u00eanero, feministas, gayzistas, socialistas, populistas e outros istas. Neste \u00faltimo caminho, ficar\u00e1s mais \u00f3rf\u00e3o ainda.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">Voc\u00ea quer se manter informado com as novidades da Casa da Cr\u00edtica e receber nossa newsletter?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Cadastre-se agora e fique sempre atualizado!!!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/casadacritica.com.br\/site\/cadastre-se-para-receber-newsletter\/\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1330 aligncenter\" src=\"https:\/\/casadacritica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/newsletter-300x50.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"50\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos direitos s\u00e3o reservados e protegidos para Casa da Cr\u00edtica, sendo permitida a reprodu\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados desde que seja citada a autoria e mantida a integralidade dos textos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor:\u00a0Vicente do Prado Tolezano 12-08-2016 Est\u00e3o longe de serem poucos os audit\u00f3rios no Brasil que se ocupam de valsas, n\u00e3o s\u00f3 tolas, mas, mesmo bestiais. 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