Que venha a nudez dos Educadores Públicos

Autor: Vicente do Prado Tolezano
01-02-2016

O mesmo povo que inventou a Democracia, além de tantos mais notáveis legados, desenvolveu o melhor sistema de educação de que se já teve notícia, apto a humilhar qualquer congênere da modernidade. Chamava-se Paideia. É de tempos, inclusive pré-aristotélicos, mas, claro, o Filósofo Gigante não deixaria de se debruçar sobre o tema e à Paideia também deu suas contribuições, particularmente quanto a suas observações, sobre o impacto que a força do hábito tem sobre o indivíduo.

Pela Paideia, a educação para o jovem grego visava formar-lhe em um sentido de “homem-arte”, completo e justamente para o fim social maior, que era o de participar da democracia. A qual, para a mentalidade de origem, não era predominantemente um “direito público”, mas, antes, um “dever público”, no qual todo indivíduo há de contribuir com o melhor de si para a vida social.

A seu turno, “o melhor de si”, se metaforizava pela imagem da NUDEZ, tal que, quanto mais nu alguém conseguisse ser, de mais elevação seria predicado. É nesse sentido que o senso de beleza grego é visto nas estátuas de homens nus. Não evoca beleza erótica, lastreada em provocação de cunho hormonal, mas sim evoca a introspectiva contemplação do sublime moral, intelectual e artístico no sentido maior.

Antes de ter qualquer acesso à instrução intelectual, o jovem haveria de ser instruído a TER A CORAGEM DE SER A SI e mostrar-se ao mundo, pois, tal como ele exatamente é. Aos gregos, quem não tivesse a coragem de ser a si, não teria, por igual, condição de abertura ao amor, nem sensibilidade ao belo e, tampouco, a coragem de conhecer a verdade. Em toda cultura grega, nada seria mais censurável que ter algo a esconder de si. Só com valores dessa cepa é que a noção de democracia efetiva, aliás, teria condições de parto.

O treinamento vestibular se dava pelo conhecimento dos mitos, em especial para os meninos, do mito de Hércules, o qual, mais que forte era sábio nas atitudes e cuja maior coragem não era a de perder a vida, mas sim a de NÃO TER VERGONHA OU MEDO de ser ele mesmo. Aliás, justamente o cumprimento das suas 12 tarefas era um meio expiatório de voltar a integrar-se como um ser pleno. É muito recomendável, a quem desconhece a leitura do mito de Hércules, o qual está disponível na internet.

Só depois que o jovem lograsse, por ações de dramatização em campo E SOB-BATUTA DO PEDAGOGO, a estatura de CORAGEM DE SER A SI, e, pois, a MENOS ROUPAS se apegasse, é que ele teria acesso ao be-a-bá das disciplinas do intelecto.

A nossa democracia, ao menos formalmente, guarda um mínimo ressaibo da democracia grega quando estatui no art. 5º, VI da Constituição Federal o direito à liberdade de expressão, mas com ônus de dar autoria. Veja-se in literis: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

Entre a forma juridicamente preconizada e a vida material real tupiniquim, contudo, acontece o casamento da água e do óleo, pois o que deveria ser ilegal e execrável, como coisa própria da COVARDIA, não só não é socialmente censurável, como virou moda. No caso, a moda dos protestos dos encapuzados, chegando ao requinte de elaboração com os grupos nominados BLACK BLOCS.

Sobre estes últimos grupos, há de ver que demonstrar outra face da COVARDIA não consiste apenas em se COBRIR, mas também a de atuar sob o agasalho do grupo difuso, sem, pois, nenhuma assunção de deliberação POR SI e com a conta a si. Algo camaleônico, do tipo “rugir em grupo e miar quando só”.

O que já seria escandaloso por si, contudo, no senso das proporções da miséria existencial vigente, fica até pequeno ante ao fato que não só há cidadãos nesses grupos encapuzados, mas que INCLUSIVE OS PROFESSORES DA REDE PÚBLICA estão a apoiar os grupos BLACK BLOCS. Fato que se verificou, de forma explícita, pelo manifesto do Sindicato dos Professores da rede pública do Rio de Janeiro há poucos dias, congratulando os BLACK BLOCS e os convocando a guarnecer as manifestações próprias desses educadores de cor marrom.

Tirante nobres exceções – existentes como oásis existem em quaisquer desertos – ser professor público no Brasil é sinônimo de auto inépcia para qualquer coisa produtiva, tal é coisa velha. Não poderia ser diferente, até porque é daquelas ditas profissões que o não atingimento de resultados concretos não implica qualquer sanção.

Agora, de classe apática, que nunca teve proposta positiva a apresentar senão idolatria a um tipo chamado Paulo Freire, é fato que “evoluíram” a promotores da degeneração ativa, incentivando o MAIOR DOS MALES, que é o indivíduo COBRIR-SE, furtar-se de SER. Tudo isso com a recompensa psíquica imediata da liberação à putaria, fruição de transgressão e etc., vandalismo puro noutras palavras, tudo sob um fingimento democrático e apelo à condição de oprimidos.

Nunca é excessivo relembrar e reafirmar Voltaire no ensinamento de que, qualquer ideia, por mais estúpida que possa ser, há de ser ouvida, elaborada e, se refutada, que o seja por meio de argumentos. Qualquer expressão que venha, contudo, de quem se MASCARA ou aplaude os mascarados, é longe de ser expressão de ideia, mas sim fisiologia de baixo ventre.

Justíssimo que o MASCARADO, covarde para ser a si, seja tratado como delinquente, ao qual não há de haver espaço para ser cidadão, nem PROFISSIONAL de nada, restando-lhe, ao máximo, um emprego em ocupações banais do sub-mundo, em termos de desenvolvimento. Como, por exemplo, ser professor na rede pública brasileira, coisa propícia a quem se limita a passar a existência invocando autocomiseração como um manto, para pseudo-justificar sua COVARDIA de ser, com a conta de roubar, não só a si, mas também a educação dos novos para SER ALGUÉM.


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