Analfabetismo e a Inépcia Nossa do Existir

Autor: Vicente do Prado Tolezano
22-03-2016

Quase todos nós, brasileiros, somos ANALFABETOS em algum grau.

Estima-se, que apenas 8% da população tenha posse de recursos linguísticos com domínio para os modos verbais do IMPERATIVO, INDICATIVO e SUBJUNTIVO, o que, contudo, não quer dizer que façam uso desses recursos.

Faça uma verificação simples, rápida, fácil e TRISTE, do seu entorno social e verificará que:

a) maioria das falas não tem ligação com a semântica própria das palavras usadas e praticamente só se usa da mente a MEMÓRIA OPERACIONAL (ou hábito) e não a SIGNIFICAÇÃO CONCEITUAL;

b) a vasta maioria das pessoas só entende o modo IMPERATIVO, uma fração pequena entende também o modo INDICATIVO e, uma fração de 8%, alcança o SUBJUNTIVO.

Se a inépcia linguística se limitasse aos extratos muito primários de trabalhadores, seria TRISTE. Mas, como ela alcança os extratos ditos “elevados”, os pseudo cultos, como advogados, administradores, engenheiros, servidores, etc., a situação é para bem abaixo da vala da MALDIÇÃO.

Um dos diversos cavalos de Tróia com que nossa mentalidade pedagógica brasileira foi “agraciada” é a tal da pedagogia, que privilegia a função de COMUNICAÇÃO da linguagem em detrimento da função EXISTENCIAL, como se fosse cabível haver comunicação adequada sem prévia constituição do próprio sujeito falante.

Quanto maior a deficiência em alfabetização, MENOS A PESSOA EXISTE! Esse é o “x”. Já na antiguidade se sabia que GRAMÁTICA é ciência, não de “arte ou técnica de falar por ser de arte ou técnica de falar em si, como uma norma pela norma”, mas, que é uma arte ou técnica de desenvolvimento da PERCEPÇÃO DA REALIDADE ou de refinamento da SENSIBILIDADE.

A alfabeto-gramaticalização de uma pessoa há de se prestar para que esta, por primeiro, PERCEBA a realidade, incluindo, óbvio, A SI nessa realidade, ou seja, para que ela EXISTA numa relação com o REAL e não numa percepção meramente sentimental, mas sim com DISCERNIMENTO.

Uma simples operação de divisão na oração entre SUJEITO e PREDICADO, tem uma relevância ontológica monumental. Tal como perceber a distinção entre o nosso eu-sujeito e o mundo-predicado, entre a substância e as categorias de possibilidades e conexões reais. A vasta maioria dos professores de Língua Portuguesa não goza de lucidez sobre isso, restando-lhes a navegação em oceanos de obscuridades.

Quanto menos PERCEBEMOS do mundo, menos podemos nos fazer EXISTIR nele e, por óbvio, menos do mundo propriamente dito conseguimos falar.

Na tua constatação, verifica bem quantas pessoas falam com OBJETIVIDADE (ou seja, sobre o mundo) e quantas giram as palavras, em órbita do nada ou de uma coisa difusa, em que não há clareza entre o que é objeto do mundo, sentimento, desejo, ideia, mera projeção imaginária e etc. Ou seja, fala-se sobre “quase nada”, senão hábitos instituídos por alguma idiossincrasia qualquer.

Chegarás fácil à conclusão de que, a rigor, pouco se EXISTE e pouco também, óbvio, se COMUNICA, já que, quem é muito pouco, também pouco pode ter para comunicar.

Na etimologia da palavra vemos: Comunicar = Com (de junção) + ÚNICO, como fazer agregar a uma unidade, o que pressupõe já haver uma percepção de unidade, ou existir como SUJEITO, tal como o sujeito da gramática.

Depois das tuas verificações sobre as pessoas, parta para a que mais interessa e VERIFICA-TE, com toda coragem dos humildes, e te responda, com muita objetividade, qual o nível de ALFABETIZAÇÃO de que tu gozas. Associe isso com a profundidade da tua EXISTÊNCIA.

Sede forte se a resposta for muito cruel. A cura, contudo, é ESTUDAR.


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Um comentário

  1. Suzy disse:

    A profundidade sempre me atraiu, quanto ao meu nível de alfabetização, boa pergunta. Algo a se pensar dentro do que o texto propõe

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